O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) repetiu o discurso do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao atacar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Em evento em São Paulo nesta quarta-feira, Flávio afirmou que o sistema eleitoral é "vulnerável" e que "não há como garantir" a lisura do processo. No entanto, há uma diferença crucial: enquanto Jair Bolsonaro fez dessas alegações a base de sua campanha de desinformação antes das eleições de 2022, Flávio agora enfrenta um cenário político distinto, com possibilidade de inelegibilidade e olhos postos em 2026.
Contexto dos ataques às urnas
Flávio Bolsonaro, que é alvo de investigações no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Supremo Tribunal Federal (STF), usou o mesmo argumento do pai para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral. Segundo ele, "as urnas são uma caixa-preta" e "não há transparência". A declaração foi feita durante um encontro com apoiadores na capital paulista, onde também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes.
A diferença fundamental
Diferentemente de Jair Bolsonaro, que usou os ataques às urnas como estratégia para mobilizar sua base e questionar o resultado eleitoral de 2022, Flávio busca se posicionar como alternativa para 2026. No entanto, ele pode enfrentar a inelegibilidade por decisões judiciais relacionadas a supostas irregularidades em sua campanha. "O cenário é outro", disse o cientista político Carlos Melo, do Insper. "Flávio não tem o mesmo capital político do pai e precisa se diferenciar, mas repete o mesmo roteiro."
Reações e impactos
As declarações de Flávio geraram reações imediatas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, afirmou que "ataques infundados às urnas são crimes" e que a Justiça Eleitoral "não tolerará desinformação". Já o PT classificou a fala como "desespero político" e lembrou que Flávio é investigado por suposto uso de candidaturas laranjas. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho, 62% dos brasileiros confiam nas urnas eletrônicas, número que cai para 45% entre eleitores de Bolsonaro.



