EUA planejam reduzir presença militar na Europa, mas enviam 5 mil soldados à Polônia
Os Estados Unidos planejam reduzir significativamente o número de aeronaves e navios de guerra disponibilizados para operações da OTAN na Europa, informou o New York Times nesta sexta-feira (12), citando dois altos funcionários europeus. A decisão contrasta com o anúncio do presidente Donald Trump de enviar 5 mil soldados americanos para a Polônia, gerando perplexidade entre aliados e autoridades de Defesa.
Reações dos aliados
Membros da OTAN e autoridades de Defesa expressaram surpresa com a decisão de Trump, feita em uma rede social na quinta-feira (21), apenas algumas semanas após ele ter dito que reduziria a presença de tropas na Europa e ordenado a saída de 5 mil militares do continente. A ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, classificou a situação como “confusa” e “nem sempre fácil de navegar”. Ministros da Holanda e da Noruega mostraram otimismo, mas pediram uma abordagem “estruturada”. A ministra da Letônia, Baiba Braže, afirmou que os aliados sabiam da reconsideração da postura das tropas americanas, enquanto a ministra da Finlândia, Elina Valtonen, destacou que os EUA continuam sendo o membro “mais significativo e importante” da OTAN.
Confusão interna nos EUA
Autoridades de Defesa dos EUA, falando sob anonimato à Associated Press, também se disseram confusas. “Passamos quase duas semanas reagindo ao primeiro anúncio. Também não sabemos o que isso significa”, disse uma das autoridades. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, minimizou as contradições, afirmando que os EUA reavaliam constantemente a presença de tropas e que o posicionamento não é uma decisão política. O tenente-general americano Alex Grynkewich, chefe militar da OTAN, disse que “centenas” de soldados adicionais seriam transferidos, sem dar detalhes.
Anúncio de Trump e reação polonesa
Trump anunciou o envio de 5 mil soldados à Polônia, baseado na forte relação entre os países e na eleição do presidente polonês Karol Nawrocki. A decisão ocorre após críticas frequentes de Trump a aliados europeus e em meio à guerra na Ucrânia. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, comemorou a decisão, agradecendo a todos os envolvidos. Na terça-feira (19), o vice-presidente J.D. Vance havia dito que o envio de tropas tinha sido adiado, gerando alerta no governo polonês. No dia seguinte, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, afirmou que os EUA não pretendiam reduzir a presença militar no país.
Contexto e implicações
A Polônia, que planeja destinar 4,8% do PIB para defesa neste ano, tornou-se alvo de espionagem e sabotagem russas devido ao papel central no envio de armas para a Ucrânia. Um funcionário americano anônimo disse que a decisão sobre a Polônia pode ser uma solução temporária para permitir a redução do contingente militar dos EUA na Alemanha, onde há cerca de 35 mil soldados. No fim de 2024, havia cerca de 85 mil soldados americanos na Europa.



