Preferências de mídia dividem eleitorado de Lula e Flávio Bolsonaro
Uma pesquisa inédita divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Datafolha revela diferenças marcantes nos hábitos de consumo de informação dos eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto os apoiadores de Lula recorrem majoritariamente a meios tradicionais como rádio e televisão, os eleitores de Flávio dependem quase exclusivamente das redes sociais para se informar.
Rádio e TV dominam entre eleitores de Lula
De acordo com o levantamento, 62% dos eleitores de Lula afirmaram que o rádio é sua principal fonte de informação, seguido pela televisão, citada por 58%. Jornais impressos aparecem com 12%, e sites de notícias, com 18%. Apenas 22% mencionaram as redes sociais como fonte primária. Os dados indicam uma forte ligação do eleitorado petista com meios de comunicação de massa, historicamente associados a audiências mais velhas e de menor renda.
“O rádio ainda é um veículo muito presente no cotidiano do trabalhador brasileiro, especialmente no Nordeste, onde Lula tem grande penetração”, explicou a pesquisadora do Datafolha, Maria Clara Santos. “A TV, por sua vez, continua sendo o meio mais acessível para a população de baixa renda, que muitas vezes não tem internet de qualidade.”
Redes sociais reinam entre eleitores de Flávio
No campo oposto, 71% dos eleitores de Flávio Bolsonaro disseram que as redes sociais são sua principal fonte de informação, com destaque para WhatsApp (45%), YouTube (38%) e Instagram (29%). A televisão foi citada por apenas 23%, e o rádio, por 15%. Jornais impressos e sites de notícias tiveram 8% e 19%, respectivamente. O perfil digital do eleitorado bolsonarista reflete uma estratégia de comunicação mais descentralizada e baseada em influenciadores e grupos de mensagens.
“O bolsonarismo construiu uma forte presença online, especialmente no WhatsApp, onde circulam conteúdos que muitas vezes não passam pelos filtros da mídia tradicional”, afirmou o cientista político Paulo Henrique Soares, da Universidade de São Paulo. “Isso cria uma bolha informacional que reforça a polarização.”
Impacto na campanha eleitoral
Os dados têm implicações diretas para as estratégias de campanha dos dois principais pré-candidatos à Presidência em 2026. Enquanto Lula deverá concentrar investimentos em propaganda no rádio e na TV, Flávio Bolsonaro tende a priorizar a produção de conteúdo digital e o impulsionamento de posts nas redes. A pesquisa também mostra que 34% dos eleitores de Lula não utilizam redes sociais, contra apenas 8% dos eleitores de Flávio.
O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 14 de julho, com 2.500 entrevistados em 150 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.



