O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quinta-feira (18) uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou na quarta-feira (17) que a situação política do Brasil havia se tornado “perigosa”.
“É uma declaração que não cabe, a do presidente Trump”, disse Durigan em entrevista ao portal Metrópoles. “A preocupação do Brasil é de manter estabilidade institucional, de ter eleições livres.”
Reação do governo brasileiro
Durigan destacou que o ano de 2022 “marcou profundamente o País”, devido ao não reconhecimento do resultado das eleições. Naquele pleito, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro por uma pequena margem no segundo turno.
“O que nós precisamos este ano? Ter eleições livres no País, as pessoas poderem votar sem ter a Polícia Rodoviária Federal bloqueando os ônibus de quem está se deslocando, não ter questionamento do resultado da eleição”, afirmou o ministro.
Contexto das declarações de Trump
As falas de Trump ocorreram na quarta-feira, durante uma entrevista coletiva na reunião do G7, na França. O presidente americano disse que a situação política do País se tornou “perigosa”, enquanto se referia à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF, também naquele dia.
O presidente americano pareceu confundir Eduardo com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que havia sido condenado um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que estava “indo bem nas pesquisas”.
Interesses econômicos e políticos
Durigan acrescentou que há um “interesse econômico” dos Estados Unidos na imposição de tarifas contra o Brasil, além do interesse político de “beneficiar a família Bolsonaro”. Ele disse que o governo brasileiro vai buscar todos os canais de negociação, mas sem abrir mão de alguns pontos.
“Por exemplo: o Pix não pode estar em discussão em uma mesa de negociação, porque não vamos abrir mão do Pix para adotar uma ferramenta recomendada pelo governo ou pelas empresas norte-americanas. Isso está fora de questão”, declarou, acrescentando que as polícias brasileiras também têm de lidar com o crime organizado no País.



