Uma nova pesquisa indica que a direita brasileira inicia um processo de reorganização política, enquanto as entregas do governo federal perdem força na percepção pública. O levantamento, realizado pelo instituto DataPoder, aponta que 48% dos entrevistados avaliam que as principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foram cumpridas, um aumento de 7 pontos percentuais em relação ao último trimestre.
Reorganização da direita
O estudo, divulgado nesta quarta-feira, mostra que partidos e lideranças de direita têm conseguido ampliar sua base de apoio, especialmente entre eleitores jovens e nas regiões Sul e Sudeste. Segundo o cientista político Carlos Melo, do Insper, “a direita está deixando de ser um movimento reativo e passando a apresentar propostas concretas para áreas como segurança pública e economia”.
O levantamento ouviu 2.000 eleitores em todas as regiões do país entre os dias 10 e 14 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Entre os entrevistados, 35% afirmaram que pretendem votar em candidatos de direita nas próximas eleições municipais, contra 28% que disseram o mesmo em pesquisa anterior.
Entregas do governo perdem força
No que diz respeito às entregas do governo, a pesquisa revela que programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida ainda são bem avaliados, mas perderam força entre os eleitores. A aprovação do governo caiu de 52% para 46% em dois meses. A desaceleração econômica e a alta da inflação são citadas como principais motivos para a insatisfação.
“O governo precisa retomar a comunicação e mostrar resultados mais visíveis para a população”, avalia a analista política Helena Chagas. Ela ressalta que a percepção de que as entregas perdem força pode ser revertida com ações mais efetivas na área econômica e no combate à criminalidade.
Impacto nas eleições municipais
O cenário apontado pela pesquisa deve influenciar as disputas municipais de outubro. Partidos de direita, como o PL e o PP, já articulam candidaturas em capitais importantes, como São Paulo e Rio de Janeiro. Por outro lado, o PT tenta reverter a queda de popularidade com uma agenda de anúncios de investimentos.
Para o sociólogo Antonio Lavareda, “a reorganização da direita é um fenômeno natural após a derrota eleitoral de 2022, mas ainda é cedo para afirmar se isso se traduzirá em vitórias concretas”. Ele lembra que as eleições municipais têm características próprias e que o desempenho dos candidatos dependerá de fatores locais.
Metodologia e próximos passos
O DataPoder pretende repetir o levantamento em setembro, antes do primeiro turno. A pesquisa completa está disponível no site do instituto. Especialistas recomendam cautela na leitura dos dados, já que a margem de erro e a amostra podem influenciar os resultados.
O governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social, afirmou que “não comenta pesquisas” e que segue trabalhando para melhorar a vida da população. Já as lideranças de direita comemoraram os números, mas ressaltaram que é preciso manter o foco nas propostas.



