A Confederação das Américas do Norte, Central e Caribe (Concacaf) anunciou nesta quinta-feira que rejeitou a proposta da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de criar uma empresa e vender ações para investidores privados. A decisão foi tomada em reunião das 41 federações filiadas, que expressaram preocupações com o processo e a governança da entidade máxima do futebol.
Preocupações com o processo
Em comunicado oficial, a Concacaf afirmou que os membros manifestaram "profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da Fifa". A confederação também questionou a necessidade de investimento privado para financiar os programas Fifa Forward, novos e existentes, especialmente "após a Copa do Mundo da Fifa mais lucrativa da história".
Demanda por transparência
A discussão na reunião reforçou a necessidade de maior transparência e governança adequada. Por essas razões, a Concacaf e suas 41 Associações Membro rejeitaram a proposta. Em parte do texto, a confederação lembrou o histórico de corrupção da Fifa: "A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar (...) A história mostrou à Fifa e à família do futebol o que acontece quando os responsáveis pelo esporte perdem de vista esses valores".
Contexto da proposta
A proposta da Fifa previa a criação de uma empresa que emitiria ações para captar recursos de investidores privados. A entidade presidida por Gianni Infantino busca ampliar o financiamento do programa Fifa Forward, que distribui verbas para desenvolvimento do futebol nas federações. No entanto, a Concacaf considera que a medida abre margem para conflitos de interesse e falta de controle.
Histórico de escândalos
A referência ao passado de corrupção remete aos escândalos que abalaram a Fifa em 2015, quando dirigentes foram presos sob acusações de suborno e lavagem de dinheiro. A Concacaf foi uma das confederações envolvidas em investigações, mas hoje busca se distanciar dessas práticas. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, tem defendido maior transparência e reformas na governança do futebol mundial.
Impacto da decisão
A rejeição da Concacaf representa um revés para os planos de Infantino, especialmente porque a confederação reúne as federações de países como Estados Unidos, México e Canadá, que sediarão a Copa do Mundo de 2026. A posição da Concacaf pode influenciar outras confederações a também se oporem à proposta, gerando pressão sobre a Fifa para revisar o projeto e garantir mais participação das federações nas decisões.



