Cleitinho desiste de candidatura ao governo e amplia crise de Flávio em Minas
Cleitinho desiste de disputar governo e amplia crise em Minas

O senador Cleitinho (PSD-MG) anunciou, neste domingo, que não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026, decisão que amplia o impasse político do ministro da Justiça, Flávio Dino, no estado. A informação foi confirmada por assessores do parlamentar e por lideranças do PT mineiro, que veem na desistência um novo obstáculo para a construção de uma candidatura única da esquerda.

Decisão após pressões e pesquisas internas

Cleitinho comunicou sua decisão em evento na cidade de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, após reuniões com dirigentes partidários e aliados. Segundo apuração, ele teria sido pressionado por setores do PSD e do próprio governo federal a abrir mão da pré-candidatura, em troca de apoio à reeleição ao Senado e de cargos em ministérios. Pesquisas internas encomendadas pelo partido indicavam que sua popularidade, embora estável, não era suficiente para vencer o favorito, o ex-governador Antonio Anastasia (PSD), que já declarou apoio à reeleição do governador Romeu Zema (Novo).

“Não vou ser candidato. Entendi que o momento exige união em torno de um projeto que possa derrotar o bolsonarismo em Minas”, afirmou Cleitinho, sem citar nominalmente Flávio Dino, mas em referência direta ao impasse. A declaração foi recebida com surpresa por aliados, que esperavam uma definição apenas após o carnaval.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impasse de Flávio Dino se aprofunda

A desistência de Cleitinho era vista como uma das poucas saídas para viabilizar a pré-candidatura de Flávio Dino, que enfrenta resistência de parte do PT e de outros partidos da federação. Dino, que já foi governador do Maranhão e ministro do STF, é apontado como nome preferido do presidente Lula para a sucessão em Minas, mas enfrenta rejeição de setores do MDB e do PSD, que ameaçam lançar candidaturas próprias.

Com a saída de Cleitinho, o PT mineiro fica sem um nome forte para compor a chapa majoritária. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) é cotado, mas sua rejeição é alta. Outra alternativa seria lançar a vice-governadora, Professora Marília (PSB), que nega interesse. A falta de consenso aumenta a chance de a esquerda chegar dividida ao pleito, o que beneficiaria Zema, que lidera as pesquisas com cerca de 40% das intenções de voto.

Reações e cenário eleitoral

Lideranças do PT mineiro, sob condição de anonimato, disseram que a decisão de Cleitinho “joga para escanteio” o plano de Dino. “O senador era a ponte com o centro. Agora, fica difícil”, afirmou um dirigente. Já o presidente do PSD em Minas, deputado estadual Cássio Soares, negou que tenha havido pressão e disse que a decisão foi “pessoal e soberana”.

O cenário atual aponta para uma disputa polarizada entre Zema e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que tenta viabilizar sua candidatura com apoio de parte do centrão. Kalil, que já foi aliado de Lula, pode atrair votos da esquerda, mas sua relação com Dino é tensa. Analistas políticos ouvidos pelo GLOBO avaliam que a desistência de Cleitinho reduz as chances de um acordo amplo, mas não elimina a possibilidade de Dino ser lançado pelo PT isoladamente, o que seria “suicídio eleitoral”, nas palavras de um cientista político da UFMG.

Próximos passos

O PT marcou uma reunião para a próxima quinta-feira, em Brasília, para discutir o cenário mineiro. Dino deve participar por videoconferência. A legenda estuda lançar uma prévia para escolher o candidato, mas a cúpula nacional resiste à ideia, temendo racha. Enquanto isso, Cleitinho deve reforçar sua pré-candidatura ao Senado, onde é favorito, e prometeu “trabalhar pela unidade da oposição ao bolsonarismo”.

O impasse em Minas é visto como um teste para a estratégia do governo Lula em 2026, que tenta ampliar sua base em estados do Sudeste. A desistência de Cleitinho, embora reduza o número de candidatos, não resolve o problema de Dino, que precisa de partidos aliados para ter palanque. Sem acordo, a esquerda pode amargar uma derrota no estado, repetindo o cenário de 2022.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar