A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) reconhece internamente a preocupação gerada por declarações recentes do presidenciável sobre o sistema de votação eletrônico, mas tenta afastar qualquer risco jurídico e traça uma diferença estratégica em relação ao caso de inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL). Em evento privado realizado na segunda-feira (21), Flávio afirmou que a empresa Smartmatic teria participação na produção das urnas brasileiras, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Declarações e reação da campanha
Durante encontro com representantes do corpo diplomático de 42 países, Flávio mencionou a Smartmatic e episódios passados que colocam em dúvida a segurança do sistema eleitoral. No entanto, a equipe de campanha nega que o candidato tenha questionado a integridade das urnas eletrônicas. Em nota, a assessoria afirmou que Flávio apenas fez uma referência histórica a um fato já amplamente divulgado, sem intenção de desacreditar o processo eleitoral brasileiro.
O TSE já havia desmentido a relação entre a Smartmatic e as urnas brasileiras em 2022, classificando a informação como falsa. Apesar disso, a fala de Flávio reacendeu o debate sobre a confiabilidade do sistema, tema que levou à inelegibilidade de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2023.
Diferenças com o caso Bolsonaro
Segundo fontes da campanha, a principal diferença entre as declarações de Flávio e as de Jair Bolsonaro é que o presidenciável não utilizou estrutura pública nem cargo oficial para fazer as afirmações. Além disso, a defesa reafirma a confiança no sistema eleitoral brasileiro e destaca que Flávio não pediu a anulação de votos nem questionou resultados de eleições passadas.
O advogado da campanha, Paulo Bueno, declarou que "não há qualquer risco jurídico, pois o candidato apenas mencionou um fato histórico, sem atacar a credibilidade das urnas atuais". Bueno também lembrou que Flávio votou e aceitou o resultado das eleições de 2022, diferentemente de seu pai.
Impacto na corrida eleitoral
Apesar da tentativa de minimizar o caso, a fala de Flávio gerou reações negativas entre adversários e especialistas. O cientista político Carlos Melo avaliou que "qualquer questionamento ao sistema eleitoral, mesmo que indireto, pode ser explorado politicamente e trazer desgaste". Pesquisas de intenção de voto mostram Flávio em segundo lugar, atrás do atual presidente, mas com vantagem sobre outros candidatos.
A campanha pretende focar em propostas de segurança pública e economia para desviar a atenção do tema. No entanto, o episódio deve ser monitorado de perto pelo TSE, que já demonstrou tolerância zero com ataques ao processo eleitoral.



