Caiado aposta em competitividade contra Lula e critica fuga de debates
O governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (30), em entrevista à Rádio Itatiaia, que derrotaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Segundo ele, pesquisas internas indicam que seria o candidato mais competitivo contra o petista, superando outros nomes da oposição.
Caiado também criticou a ausência de adversários em debates durante a campanha. Sem citar episódios específicos, afirmou que candidatos que evitam o confronto de ideias escondem suas propostas. "Se uma pessoa não tem coragem de ir a um debate, é porque ela tem muito a esconder e pouco a mostrar", declarou. O governador destacou sua trajetória de 40 anos de vida pública sem envolvimento em corrupção, contrastando com o que chamou de falta de transparência de outros postulantes.
Ataques a Flávio Bolsonaro e a disputa pela direita
Ao comentar a disputa pelo eleitorado da direita, Caiado intensificou as críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Disse que o parlamentar não tem experiência para governar o país e afirmou que ele depende politicamente do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Você não pode estar todo dia puxando o seu pai para poder decidir um assunto. Você tem que demonstrar que tem capacidade de liderar o país", declarou, em tom duro.
Na avaliação de Caiado, Flávio Bolsonaro não apresenta propostas próprias e seria um candidato frágil, sem autonomia. A declaração reforça a estratégia do governador de se posicionar como a principal alternativa conservadora nas próximas eleições, buscando atrair eleitores que se identificam com o bolsonarismo, mas que desejam um nome com experiência administrativa e sem vínculos com casos de corrupção.
Segurança pública: o modelo de Goiás como bandeira nacional
Durante a entrevista, Caiado voltou a defender o modelo de segurança pública implantado em Goiás e disse que pretende levá-lo para todo o país caso seja eleito presidente. Segundo ele, o narcotráfico controla parte do território brasileiro e restringe a liberdade da população em diversos estados, especialmente naqueles governados pelo PT. "Comigo bandido não se cria. Nós temos o estado mais seguro do Brasil e é isso que eu vou fazer", afirmou.
O pré-candidato associou o avanço das facções criminosas a estados administrados pelo PT e disse que a criminalidade é a principal preocupação da população brasileira. Dados oficiais mostram que Goiás reduziu a taxa de homicídios em mais de 40% nos últimos anos, o que Caiado usa como trunfo eleitoral. Ele prometeu replicar ações como o programa de monitoramento por câmeras e a integração das forças de segurança.
Agronegócio: "sou agro raiz" e defesa do produtor de leite
Ao falar sobre o agronegócio, Caiado afirmou que tem uma ligação histórica com o setor e rebateu críticas de adversários, que o classificam como candidato do agronegócio. O governador lembrou sua atuação na criação da União Democrática Ruralista (UDR) e afirmou que participou da defesa do direito de propriedade rural desde a Assembleia Constituinte de 1988. "Eu não sou sabor agro. Eu sou agro raiz", disse, em referência à sua origem no campo.
Ele também comentou a situação dos produtores de leite em Minas Gerais, afirmando que o setor enfrenta uma concorrência desleal com produtos importados, especialmente do Mercosul. "Esse segmento está cada dia empobrecendo mais numa concorrência desleal", afirmou, defendendo medidas contra o dumping e a necessidade de políticas de proteção à produção nacional. O pré-candidato disse que, se eleito, buscará renegociar acordos comerciais para defender o produtor brasileiro.
Minas Gerais: palanque e alianças políticas
Questionado sobre o cenário político em Minas Gerais, Caiado disse que não vê dificuldades para construir um palanque no estado, apesar do apoio do governador Romeu Zema (Novo) a outro candidato. O pré-candidato afirmou que mantém uma relação histórica com Minas e citou o senador Carlos Viana (Podemos) entre as lideranças que apoiam sua candidatura. "Minas Gerais não é dificuldade para mim", disse.
Caiado destacou que tem trânsito em diversas regiões mineiras e que a estrutura do PSD no estado é forte. Ele também lembrou que já recebeu apoio de prefeitos e vereadores mineiros, o que considera suficiente para uma campanha competitiva. A declaração ocorre em meio a articulações para consolidar alianças visando 2026.



