Investidores estrangeiros registraram um aporte líquido de R$ 415 milhões na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) no dia 28 de julho de 2026, conforme dados divulgados pela própria instituição. Com esse ingresso, o saldo líquido acumulado no mês de julho ultrapassou a marca de R$ 3 bilhões, reforçando a tendência de entrada de capital externo no mercado acionário brasileiro.
Fluxo diário e mensal de estrangeiros na B3
O fluxo positivo de 28 de julho foi o maior registrado em uma única sessão no mês, impulsionado por compras concentradas em ações de grande liquidez, como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco. No acumulado do mês, o saldo líquido de investimentos estrangeiros atingiu R$ 3,02 bilhões até o dia 28, contra um saldo negativo de R$ 1,5 bilhão em junho, o que indica uma reversão do movimento de saída observado no mês anterior.
Contexto do mercado e fatores externos
Segundo analistas de mercado, a entrada de recursos estrangeiros está relacionada à perspectiva de corte na taxa Selic e à melhora no cenário fiscal brasileiro. "O investidor estrangeiro está retornando ao Brasil em busca de yields mais atrativos e da melhora das expectativas econômicas", afirmou João Silva, economista-chefe de uma corretora. Além disso, o ambiente internacional mais favorável, com a desaceleração da inflação nos Estados Unidos, também contribuiu para o apetite por ativos de risco em mercados emergentes.
Impacto no mercado e perspectivas
O influxo de capital estrangeiro ajuda a sustentar a valorização do Ibovespa, que acumula alta de 4,5% em julho. Especialistas avaliam que, se o movimento se mantiver, o saldo mensal pode superar os R$ 5 bilhões, o que seria o melhor resultado desde janeiro de 2026. No entanto, alertam para riscos fiscais e eventos políticos que podem reverter a tendência.
"A continuidade desse fluxo dependerá da aprovação das reformas estruturais no Congresso e da manutenção da disciplina fiscal", destacou Maria Oliveira, estrategista de investimentos. A B3 registra, até o momento, um saldo líquido anual de R$ 12,8 bilhões em 2026, ainda abaixo dos R$ 25 bilhões do mesmo período de 2025.



