O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou melhora na aprovação, que atingiu 48% na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). O índice de desaprovação ficou em 47%, numericamente inferior, representando o melhor resultado para Lula desde o fim de 2024. A pesquisa também aponta Lula à frente no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, com 40% das intenções de voto, contra 28% do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL). Em todos os quatro cenários de segundo turno, Lula lidera com 45%, oito pontos à frente de Flávio, que tem 37%.
Aprovação e rejeição: tendência de recuperação
Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo (48%) superou numericamente a desaprovação (47%) — um empate técnico, mas que revela uma tendência de melhora. Há um ano, 53% desaprovavam a gestão e 43% aprovavam, diferença de dez pontos. Em abril de 2026, a diferença era de nove pontos (52% a 43%). Desde então, a imagem do governo vem melhorando de forma consistente, segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest. "O que estamos mostrando: a aprovação do governo tem uma melhora consecutiva desde abril", afirma Nunes.
Apesar da melhora, 51% dos entrevistados ainda consideram que Lula não merece mais um mandato. Contudo, esse percentual caiu em relação a abril, quando era de 59%. Outros 45% avaliam que ele deveria ser reeleito.
Independentes: virada decisiva
Um movimento importante ocorre entre os eleitores independentes — aqueles que não se identificam com direita, esquerda, bolsonarismo ou lulismo. Esse grupo representa 33% do eleitorado e terá papel decisivo na disputa. Em abril, 58% dos independentes desaprovavam o governo; agora são 45%. A aprovação subiu de 32% para 45%. "Esse é o grande ponto", destaca Nunes.
Três iniciativas impulsionam a percepção positiva
O levantamento captou o impacto de três iniciativas do governo que apostam em efeitos positivos na economia e na percepção popular: o programa "Desenrola 2.0", de renegociação de dívidas; o avanço das discussões sobre o fim da escala 6x1 de trabalho; e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. "Essa melhora é fundamentada em três fatores: o Desenrola diminui as dívidas dos brasileiros, a discussão sobre o fim da escala 6x1 cria a expectativa de que as pessoas vão poder trabalhar menos e ter mais qualidade de vida, e a isenção do IR finalmente começa a chegar em setores importantes da sociedade", explica Nunes.
Desenrola: conhecimento e impacto na renda
Sobre o Desenrola, 66% dos entrevistados afirmam saber do programa (eram 57% em maio). 55% consideram a iniciativa uma boa ideia do governo. 35% relatam que a renda aumentou significativamente após o lançamento, contra 30% em junho. "Ou seja, os brasileiros estão reconhecendo que a renegociação das dívidas é importante", afirma Nunes. Em maio, 27% diziam não ter dívidas; agora são 31%. O percentual dos que afirmam ter muitas dívidas caiu de 28% para 21%.
Fim da escala 6x1: expectativa de menos trabalho
A proposta de fim da jornada 6x1, apoiada pelo governo e aprovada na Câmara dos Deputados em maio, tem 69% de apoio entre os entrevistados. 50% esperam trabalhar menos com a redução da jornada. Até entre eleitores de direita e bolsonaristas, mais de 40% responderam que esperam trabalhar menos horas. "Qual é o grande segredo do fim da escala 6x1? A gente encontra uma expectativa positiva sobre a ideia de trabalhar menos, ou seja, o governo está conseguindo criar uma expectativa, e isso obviamente ajuda o governo a melhorar", afirma Nunes.
Isenção do IR: mais brasileiros sentem diferença
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil começou a valer no início de 2026. O percentual dos que afirmam que a renda aumentou significativamente subiu de 15% em fevereiro para 24% atualmente. Em fevereiro, 50% diziam não ter sentido diferença; agora são 39%. A pesquisa Quaest ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre os dias 10 e 14 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.



