Andy Burnham vence eleição e desafia Starmer por liderança trabalhista
Andy Burnham vence eleição e desafia Starmer por liderança

O ex-prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, foi eleito deputado na quinta-feira (19) em uma votação crucial que não lhe garante apenas uma cadeira no Parlamento britânico. A vitória esmagadora do chamado 'Rei do Norte' abre caminho para que ele desafie a liderança do primeiro-ministro Keir Starmer.

Resultado da eleição

Burnham, de 56 anos, obteve 54,8% dos votos no distrito de Makerfield, noroeste da Inglaterra, contra 34% do candidato do partido de extrema direita Reform UK, Robert Kenyon. O popular político, que já foi ministro da Saúde, afirmou que planeja enfrentar Starmer no comando do Partido Trabalhista.

'Eu falo ao meu próprio partido: esta é a última chance para mudar', declarou Burnham em seu discurso de agradecimento, após superar Kenyon por mais de nove mil votos. 'Isto é o que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Devemos ouvi-las, devemos atuar em conformidade e devemos fazer isso da maneira correta. Não haverá uma segunda chance', disse. 'Mas agora há, sim, uma oportunidade, a partir do resultado desta noite', acrescentou.

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Contexto político

Se Starmer deixar o cargo em 2025, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos. O trabalhista está no cargo desde julho de 2024 e se aferra ao poder desde que sua legenda sofreu uma derrota esmagadora nas urnas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado. Na rede social X, ele felicitou Burnham pela vitória. 'Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio', escreveu o premiê.

O 'Rei do Norte'

Conhecido pelo apelido de 'Rei do Norte', Burnham é o político trabalhista mais popular do Reino Unido, com três mandatos consecutivos como prefeito da Grande Manchester e integrante da ala de esquerda moderada do partido. Pesquisas mostram que ele venceria uma votação direta contra Starmer, mais centrista.

Em meio ao crescente descontentamento dentro do partido governista com o premiê, o deputado trabalhista Josh Simons renunciou ao seu assento em Makerfield para que Burnham pudesse retornar ao Parlamento e concorrer à liderança da legenda. A medida sem precedentes chamou atenção para Burnham em um distrito eleitoral onde era considerado um 'outsider'. A região é predominantemente branca e de classe trabalhadora, terreno fértil para a legenda de extrema direita, que ultrapassou o Partido Trabalhista nas pesquisas nacionais há mais de um ano.

A campanha de Kenyon foi prejudicada por comentários ofensivos que ele fez nas redes sociais sobre as mulheres, enquanto o pequeno partido de extrema direita Restore Britain tirou votos do Reform. A votação de quinta-feira também foi considerada um teste para ver se 'o Rei do Norte' seria capaz de derrotar o Reform UK, liderado pelo extremista Nigel Farage.

Grande mobilização de eleitores

A participação na eleição foi de 59%, a mais elevada em uma votação parcial em sete anos, com mais de 45.000 votos registrados. Burnham tomará posse como deputado na próxima segunda-feira (22). Segundo as regras do Partido Trabalhista, todos os aspirantes à liderança precisam ser deputados. Burnham poderá reunir facilmente o apoio de 81 dos mais de 400 deputados da legenda, o mínimo necessário para iniciar uma disputa pelo comando do partido.

Na quarta-feira, Starmer disse que estava disposto a oferecer ao rival um 'papel importante' em seu governo, em uma tentativa de evitar o desafio, ideia que, segundo a imprensa, foi rejeitada pela equipe do então prefeito. O atual premiê britânico se viu em meio a um escândalo devido à nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador em Washington. Dezenas de deputados trabalhistas pediram a renúncia de Starmer e vários ministros deixaram seus cargos. No entanto, o ex-advogado de 63 anos se recusa a renunciar, alegando que sua vitória eleitoral esmagadora sobre os conservadores em 2024 lhe concedeu um mandato de cinco anos para governar.

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