Vinte e quatro dias após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, o técnico Carlo Ancelotti concedeu uma entrevista coletiva na qual anunciou o fim do ciclo de três jogadores veteranos e traçou as diretrizes para o próximo ciclo da Seleção. O italiano confirmou que Neymar, Casemiro e Danilo não serão mais convocados, encerrando uma geração que marcou época, mas que não conseguiu o tão sonhado hexacampeonato.
Fim de uma geração
Ancelotti foi categórico ao afirmar que a Copa do Mundo de 2026 marcou o fim de um ciclo importante. "Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos", declarou o treinador. Ele ressaltou que a decisão já havia sido comunicada pessoalmente a alguns atletas e que o processo de renovação é natural no futebol.
A declaração de Neymar, que publicou nas redes sociais que não jogaria mais pela Seleção, foi vista por Ancelotti como parte desse percurso. "O Neymar já foi muito claro na declaração de que acabou o tempo com a Seleção, e isso é um percurso natural na carreira de um jogador", disse o italiano, reforçando que a decisão foi tomada em conjunto e sem mágoas.
Objetivo: Copa América 2028
O técnico estabeleceu a Copa América de 2028 como o primeiro grande objetivo do novo ciclo. "Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028", explicou. Ele destacou que o Brasil terá quatro anos para se preparar, com amistosos e competições de base, como o Sul-Americano e a Copa do Mundo Sub-20, servindo como trampolim.
Ancelotti também mencionou a importância de manter alguns jogadores experientes para dar continuidade, citando Marquinhos como exemplo. "Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos", afirmou. No entanto, a ênfase está na juventude: Estêvão, Rayan, Endrick e Vitor Reis são alguns dos nomes que já estão no radar.
Autocrítica e erros
O treinador fez uma análise detalhada da eliminação para a Noruega, admitindo erros táticos. "A autocrítica que eu posso fazer, que eu fiz depois do jogo, é que eu mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo", revelou. Ele mencionou que a entrada de Neymar, embora visando mais qualidade ofensiva, acabou desequilibrando a equipe.
Ancelotti também defendeu o estilo de jogo da Seleção, que teve apenas 30% de posse de bola contra a Noruega. "Acho que o número estatístico de posse de bola não é tão importante. Quando você tem na frente jogadores como Vinicius, Endrick, Estêvão e Raphinha, você não tem que fazer um jogo de posse. Você tem que fazer um jogo mais vertical", argumentou. Ele comparou com a Espanha, campeã mundial, que possui uma geração de meio-campistas excepcionais, algo que o Brasil precisa desenvolver.
Novos goleiros e meio-campistas
Outro ponto abordado foi a renovação no gol. Ancelotti indicou que Alisson, Ederson e Weverton podem ter seus ciclos encerrados, mas que a avaliação será criteriosa. "Acho que temos que observar novos goleiros. Há goleiros jovens que estão jogando no Campeonato Brasileiro, que temos que olhar", disse. Além disso, o técnico destacou a necessidade de formar meio-campistas de qualidade, seguindo o exemplo da Espanha.
Ancelotti também comentou sobre a estrutura do futebol brasileiro e a formação de talentos. "O Brasil sempre vai formar talentos, mas o ideal seria que os talentosos jogassem um pouco mais aqui e pudessem evoluir mais rápido", opinou. Ele prometeu uma conexão mais forte com as categorias de base e com os clubes para acompanhar a progressão dos jovens.
Pressão e futuro
Apesar da pressão natural após a eliminação, Ancelotti se mostrou confiante. "Temos ferramentas a nível técnico, metodológico e competência para estar entre os melhores do mundo", afirmou. Ele revelou que recusou uma proposta da Federação Italiana para continuar no Brasil, demonstrando compromisso com o projeto. "Não é um problema de contrato, é de compromisso. Quero seguir trabalhando e seguir com a Seleção", disse.
O italiano também falou sobre sua adaptação ao Rio de Janeiro, onde é residente fiscal, e elogiou a cultura brasileira. "Gostei muito do Rio, do Carnaval, de Trancoso na Bahia... Adoro esse país", concluiu, deixando claro que está focado em escrever uma nova história com a Seleção.



