A desgraça do gasto público e o endividamento do Brasil
A desgraça do gasto público e o endividamento

A desgraça da palavra gasto

Governos populistas adoram fazer expansão fiscal, especialmente em momentos de corrida eleitoral. Recentemente, em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o chamado “Conselhão”, Lula afirmou que existe uma “desgraça chamada gasto”, que impede a expansão fiscal. O que o presidente não se atentou é que seu governo já é especialista no assunto.

O crescimento real da despesa total do governo federal neste Lula 3 está sendo de 5,4% ao ano, a maior expansão desde o Lula 2, quando a taxa real foi de 9,8%. No Dilma 1 a expansão real foi de 3,9%; no Dilma 2 (até maio/2016), foi de 1,7%; no governo Temer foi de -0,3% e no de Bolsonaro, de 1,4%. Mesmo retirando os precatórios, o governo Lula 3 é o mais gastador desde Lula 2.

Isso demonstra que, se dependesse apenas do presidente, a situação do endividamento público seria ainda pior, fazendo a sociedade pagar mais caro no futuro por suas bondades eleitoreiras. O arcabouço fiscal está vigente, mas a partir do momento em que o governo luta para excluir despesas da regra e mirar sempre o piso do resultado primário, ele deixa de ter credibilidade.

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Caso Master: um saco sem fundo

Enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, insiste a todo custo em normalizar o empréstimo de R$ 22 milhões que tomou do Banco Master para sua cunhada, a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, com busca e apreensão visando ao senador petista Jaques Wagner, que teria recebido propina em esquema envolvendo igualmente o Master.

A ligação de Daniel Vorcaro com políticos e juízes é um saco sem fundo, uma lista sem matizes ideológicos que parece não ter fim e cujo objetivo precípuo sempre foi o de criar, incrementar e manter a vida nababesca do ex-dono do banco. Não sei se Vorcaro leu O Príncipe, de Maquiavel, mas ele seguramente usou e abusou da máxima de que os fins justificam os meios.

Trabalho remoto no Congresso

Excelente o editorial do Estadão que tratou da ausência parlamentar em Brasília mesmo estando, oficialmente, no exercício do cargo. O caso envolvendo o senador Romário, eleito pelo Rio de Janeiro e atualmente trabalhando na cobertura da Copa do Mundo de futebol, é talvez o mais evidente, mas, como bem citado no texto, não é o único.

Apesar das possibilidades de trabalho remoto, a atividade parlamentar tem especificidades que, feliz ou infelizmente, exigem a presença física do congressista na capital federal. Votar é uma parte do processo, mas cabe aos deputados e senadores analisar, negociar, buscar consensos e, essencialmente, fiscalizar a execução orçamentária, dentro dos limites e usando as prerrogativas conferidas pela Constituição.

É triste, mas o “jeitinho brasileiro” corroeu e corrói a credibilidade das instituições brasileiras. Enquanto os parlamentares viajam ao exterior, exercem atividades profissionais alheias ao interesse público, a sua remuneração permanece sendo rigorosamente paga pelo contribuinte. E a qualidade da entrega legislativa nunca foi tão deplorável.

Clima pesado na Copa

Na terça-feira passada tivemos exemplos do que significa jogar futebol com garra, sangue nos olhos, muita confiança e vontade de vencer: Argentina, França e Noruega, com seus protagonistas Messi, Mbappé e Haaland. Eles sabiam que precisavam vencer o primeiro jogo para entrar no campeonato garantindo conquistas imediatas e futuro no torneio.

Quanto ao Brasil, não senti em nossos jogadores essa garra e essa gana de vencer no jogo contra Marrocos. O time parecia acuado e inseguro diante do adversário. Espero que eles voltem hoje a campo com garra e confiança, seguros de que podem vencer. Competência técnica eles têm, e muita.

Tudo é relativo

O empate do Brasil contra Marrocos na Copa do Mundo pareceu um péssimo resultado naquele dia. Mas, depois dos empates entre Espanha e Cabo Verde, Bélgica e Egito, Arábia Saudita e Uruguai e Portugal e República do Congo, tornou-se um ótimo resultado.

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Vítima e julgador

Mais um desfecho amargo. “Condenação de Eduardo Bolsonaro era inevitável, mas presença de Moraes como vítima e julgador voltou a lançar dúvidas desnecessárias sobre a imparcialidade do STF”. Não é a presença de Moraes que lança dúvidas sobre a imparcialidade do Supremo, mas sim sua reprovável e deplorável postura. O ministro, inquestionavelmente, é condescendente com os atos praticados por Lula e seus fiéis escudeiros, mas persegue impiedosamente o núcleo bolsonarista. Essa não deveria ser a conduta de um integrante da mais alta corte de Justiça do País.

Caso Master: críticas a Gilmar Mendes

Sérgio Moro responde comparação de Gilmar Mendes do caso Master com Operação Lava Jato: ‘Ladainha’. Com todo respeito ao ministro decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, entendo inoportunas suas críticas aos seus pares na condução das medidas tomadas no caso do Banco Master, já que elas só beneficiam os investigados nesta fase crítica da maior fraude bancária da história do País.

Lealdades frágeis

A ameaça da irmã de “Sicário” de que possui “material para acabar com a família inteira” mostra como alianças construídas na conveniência podem se transformar em guerras abertas quando entram em cena dinheiro, ressentimento e promessas não cumpridas. A lealdade, aparentemente, durou menos que os interesses.

Se as declarações forem apenas bravatas, o tempo se encarregará de demonstrar. Mas, se houver provas, o caso Master poderá ganhar um novo roteiro, deslocando as atenções da delação de Daniel Vorcaro para um embate entre famílias e antigos aliados. No Brasil, escândalos costumam produzir personagens improváveis. E não raro os segredos mais perigosos não vêm dos adversários, mas daqueles que um dia estiveram sentados à mesma mesa. Não há testemunha mais perigosa do que um aliado decepcionado.

Manobras financeiras

Os tentáculos da fraude do Banco Master e de seu mentor, Daniel Vorcaro, são ubíquos e vêm alcançando figuras importantes aninhadas nos patamares superiores do poder nacional. A situação pode ser metaforicamente comparada a uma represa prestes a se romper, mantida, porém, em equilíbrio instável por ações emergenciais levadas a cabo pelos poderosos em vulnerabilidade, verdadeiros reparadores apressados das fissuras que surgem a todo momento.

Não resta dúvida de que o banqueiro fraudulento é hoje a personalidade mais comentada e citada nos meios de comunicação. Com uma pitada de sátira, é lícito supor, portanto, que, se estivesse em liberdade e elegível, e viesse a disputar a Presidência, certamente seria eleito, tal a sua desenvoltura pelos meandros do poder e sua influência nas manobras financeiras de muitos cardeais dos mundos político e jurídico. Apesar de hipotético, este não é um cenário tão absurdo, pois, aqui em Pindorama, um condenado, também inelegível, virou presidente pouco mais de um ano após os respectivos processos serem anulados.

Compliance Zero

Vocês sabem o que é um boi de piranha? Não? Basta acompanhar o que vai acontecer com o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Grande investimento

Nosso presidente se esmerou em investir na produção de uma população pobre e ignorante que continue votando nele. Se em 2003 tivesse investido em educação e saúde para a população, nunca mais teria sido eleito – nem para vereador.

O legado de FHC

Muito coerente e centrado o artigo escrito por Pedro Malan, publicado no último domingo pelo Estadão. Os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso permitiram ao Brasil a tão sonhada e necessária estabilidade econômica, abrindo espaço, inclusive, para a modernização do Estado. As privatizações, tão demonizadas pelos partidos mais alinhados à esquerda do espectro político, permitiram que serviços públicos tidos como essenciais estivessem acessíveis ao conjunto da sociedade brasileira.

Alguns setores precisam ser controlados pelo Estado, outros devem ser entregues à iniciativa privada, que, sem as amarras do setor público, pode fazer os investimentos necessários de forma estratégica e racional. Pena que os ideais de FHC e dos tucanos acabaram perdendo espaço para o fanatismo bolsonarista. É importante lembrar que o PSDB sempre fez uma oposição comedida, mas qualificada. Só me permita uma ressalva: a gastança desenfreada não é uma responsabilidade exclusiva de Lula ou dos presidentes de modo geral, pois o Congresso Nacional nunca foi receptivo às medidas de ajuste, sobretudo quando tais propostas cortam seus privilégios e mexem no bolso da elite do funcionalismo.

Fim da guerra

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã devolve ao mundo a expectativa de normalização energética. Com o fim do conflito, a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, bloqueada há dois meses, volta a ser liberada. Por essa rota trafegam diariamente cerca de 20 milhões de barris de petróleo, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial.

A interrupção desse fluxo provocou forte alta nos combustíveis, encareceu fretes, pressionou alimentos, mercadorias e serviços, além de ampliar a inflação em vários países. É nesse ponto que o fim da guerra poderá reequacionar os problemas provocados pelo conflito e ajudar a equilibrar a hoje debilitada economia mundial, refém desse episódio.

A retomada do fornecimento tende a reduzir o preço do barril, aliviar os custos de transporte, normalizar cadeias produtivas e devolver confiança aos mercados. Como o petróleo influencia praticamente todos os setores da economia, sua estabilização representa também a possibilidade de queda gradual nos preços ao consumidor. Durante a crise, o barril, que em tempos de paz era comercializado entre US$ 70 e US$ 80, chegou a atingir US$ 140. Com o anúncio do armistício, o preço recuou e deve manter tendência de queda, desde que não ocorram novos incidentes.

O acordo ainda prevê negociações sobre os limites do programa nuclear iraniano, uma das causas centrais da guerra. Para o Brasil e demais países consumidores, a principal vantagem é afastar o risco de desabastecimento e permitir que combustíveis, fretes e produtos retornem, nas próximas semanas, aos patamares anteriores à crise.

Soberania brasileira

Para Lula, aliar-se aos EUA no combate à corrupção, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) significa, para o Brasil, perda de soberania. Nossa perda de soberania é a polícia não combater a corrupção nas favelas e não resguardar as nossas fronteiras.

Rugido vazio

Não precisamos de guerra. A guerra é o rugido vazio dos canhões, o choro silencioso das mães, o sangue que mancha a terra prometida. Ela devora sonhos, racha famílias e transforma heróis em fantasmas. O mundo clama por paz – não uma paz frágil, mas uma paz profunda, tecida com fios de diálogo, mãos unidas e corações abertos.

A paz não é rendição, é coragem. É o agricultor semeando no campo outrora minado, a criança correndo livre sem o estrondo das bombas, os povos dançando sob o mesmo céu estrelado. Nós, brasileiros de praia e samba, sabemos disso: na roda de amigos, no vinho partilhado, na luta por justiça sem balas, florescemos. O mundo precisa de paz agora. Armemos a empatia. Que ecoe esta verdade: guerra é morte; paz é vida eterna. Levante-se, grite, viva pela paz!

Trânsito em São Paulo

O Estadão, cumprindo sua função de bem informar, tem noticiado por vários dias o aumento de óbitos por atropelamento na cidade de São Paulo, de acordo com o sistema Infosiga, da Secretaria de Segurança Pública. Eu nunca entendi por que acidentes com motos são registrados como atropelamento, e seria bom que o sistema Infosiga deixasse claro quando a vítima é pedestre e quando é motociclista, que, acredito, representa a maioria das vítimas.

Hoje, vemos diariamente excesso de velocidade, conversões proibidas, condução na contramão etc., praticados por motociclistas, além da inexistência de fiscalização, tanto pelo batalhão de trânsito da Polícia Militar quanto pela CET. Além disso, o governo do Estado isentou de ICMS motos até determinada cilindrada sem nenhuma contrapartida. Poderia ter exigido que os proprietários não tivessem multas ou não tivessem se envolvido em acidentes em determinado período, ou ambos. É a total incapacidade do poder público municipal e estadual de cumprir sua obrigação de dar segurança e proteção à população.

Fica a dica

Na Copa do Mundo de 1958, o técnico Vicente Feola atendeu aos pedidos do meia Didi e do lateral Nilton Santos para que Pelé e Garrincha fossem escalados no terceiro jogo da seleção. Deu no que deu: o Brasil sagrou-se campeão de sua primeira Copa. Agora, chegou a vez do técnico Carlo Ancelotti promover mudanças e escalar o atacante Endrick, que já mostrou aptidão para marcar gols. Fica a dica.

Seleção Brasileira

Diante do empate com o Marrocos, por 1 a 1, na pálida e frustrante estreia da seleção na Copa do Mundo, com Neymar ainda em recuperação, mais de 200 milhões de técnicos da torcida brasileira exigem de Carlo Ancelotti a escalação do jovem craque Endrick, de 19 anos, para os próximos jogos da canarinho, sem qualquer hesitação, a exemplo do que fez Vicente Feola, em 1958, quando pôs em campo, na Copa da Suécia, o garoto prodígio Pelé, de apenas 17 anos, que, como se viu, fez bonito e começou a encantar o planeta bola. Muda, Brasil.

Imagem do Brasil

Nossa seleção é a imagem do Brasil. País riquíssimo, população trabalhadora, amável e criativa, porém doente e carente de socorro. É inadmissível termos dirigentes e homens públicos tão desqualificados e imorais. Samir Xaud, presidente da CBF, e Ciro Nogueira (PP-PI) precisam ser destituídos de seus cargos e mandatos imediatamente. Com pessoas deste naipe, não temos como dar certo.

Progresso

O futebol, hodiernamente, está nivelado. Não há mais bobinhos. Os bons jogadores, de diversas nacionalidades, atuam em clubes da Europa, disputando campeonatos em alto nível de técnica, estrutura, exigências. Trata-se de outra realidade. A lei de progresso, em tudo, é inexorável.