Projeto da escala 6x1 é ativo político para Lula e preocupa oposição
6x1: ativo de Lula preocupa oposição, dizem parlamentares

O projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) virou um trunfo político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma dor de cabeça para a oposição. A avaliação é de parlamentares de ambos os lados, que veem na proposta um potencial de mobilização popular e desgaste para o governo anterior.

Segundo interlocutores do governo, Lula pretende usar o tema para reforçar sua imagem de defensor dos direitos trabalhistas, especialmente em ano eleitoral. A ideia é apresentar o projeto como uma conquista do trabalhador, contrastando com a reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou regras e foi duramente criticada pelas centrais sindicais.

Impacto político e reações no Congresso

Na Câmara dos Deputados, a proposta já conta com o apoio de partidos de esquerda e centrais sindicais, mas enfrenta resistência de setores do centrão e da oposição. O líder da oposição na Casa, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a proposta é "populista e inviável", e que pode gerar desemprego em massa. "A escala 6x1 é uma realidade em muitos setores, e mudar isso sem estudo de impacto pode quebrar empresas", disse.

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Por outro lado, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do projeto, rebateu as críticas: "A redução da jornada sem redução de salário é uma tendência mundial. Não podemos tratar o trabalhador como máquina. A oposição está preocupada porque sabe que o tema mobiliza a população".

Pressão popular e mobilização social

Entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) já anunciaram atos públicos em apoio à proposta. Uma pesquisa recente do Datafolha indica que 78% da população é favorável ao fim da escala 6x1, o que aumenta a pressão sobre os parlamentares. "O projeto é um instrumento de mobilização. Quem votar contra vai explicar para o eleitor", avaliou o deputado Bohn Gass (PT-RS).

O governo, por sua vez, evita colocar o projeto em votação imediata, preferindo usá-lo como moeda de troca em negociações no Congresso. "É um ativo político que pode ser usado para aprovar outras pautas", admitiu um ministro, em caráter reservado.

Preocupação na oposição e estratégias

Na oposição, a preocupação é com o impacto eleitoral. O projeto pode se tornar um símbolo da gestão Lula, ofuscando as pautas econômicas. Para minimizar os efeitos, a oposição tenta desqualificar a proposta, argumentando que ela é inviável e que pode prejudicar a economia. O senador Rogério Marinho (PL-RN) declarou: "Vamos apresentar dados técnicos mostrando que a medida pode gerar uma perda de R$ 200 bilhões por ano para as empresas, com forte impacto na inflação".

Especialistas em direito trabalhista divergem. O professor da USP, José Pastore, defende que a mudança deve ser gradual: "É preciso negociar com os setores que mais dependem da escala 6x1, como comércio e indústria. Uma transição seria mais segura". Já a economista do DIEESE, Patrícia Pelatieri, argumenta que a produtividade no Brasil permite a redução sem grandes perdas: "Estudos mostram que jornadas mais curtas aumentam a produtividade e reduzem acidentes de trabalho".

Próximos passos

O projeto ainda precisa passar pelas comissões e pelo plenário da Câmara, depois pelo Senado. A expectativa é que, se aprovado, a nova escala entre em vigor a partir de 2028, com um período de transição de dois anos. O governo, no entanto, não descarta acelerar o processo se houver pressão popular.

Enquanto isso, o tema domina as redes sociais e vira assunto principal em rodas de conversa. A hashtag #FimDaEscala6x1 já alcançou mais de 2 milhões de postagens no X (antigo Twitter). Para o cientista político Antônio Lavareda, o projeto é "uma pauta que une a base petista e atrai o eleitorado jovem, o que preocupa a direita".

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