Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira revela que 52% dos eleitores brasileiros consideram errada a decisão da Justiça de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão de uma carta enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre os dias 22 e 25 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o estudo, 35% dos entrevistados avaliam como correta a proibição, enquanto 13% não souberam ou não responderam. A pesquisa também aponta que a reprovação à medida é maior entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (56%) e entre os que residem nas regiões Norte e Centro-Oeste (58%).
Contexto da decisão
A proibição foi imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após o senador Flávio Bolsonaro enviar uma carta ao magistrado, na qual criticava a condução dos inquéritos que miram o ex-presidente. A correspondência foi interpretada como uma tentativa de pressionar o ministro, levando-o a determinar o afastamento de Flávio das visitas ao pai, que está em Brasília.
A decisão gerou reação imediata da defesa de Bolsonaro, que classificou a medida como "arbitrária e desproporcional". Em nota, os advogados do ex-presidente afirmaram que a carta "não contém nenhuma ameaça ou desrespeito à autoridade do STF" e que a proibição "viola o direito fundamental de convivência familiar".
Impacto político
O levantamento indica que a proibição pode ter efeitos negativos para a imagem do governo, que já enfrenta queda de popularidade. Entre os que reprovam a medida, 48% dizem que a decisão influencia negativamente sua avaliação do governo, enquanto 22% afirmam que não muda nada. Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, "a percepção de que o governo interfere no Judiciário é um fator que corrói a confiança institucional".
Os dados também mostram divisão partidária: 78% dos eleitores que votaram em Lula em 2022 consideram a proibição correta, enquanto 74% dos que votaram em Bolsonaro a consideram errada. Entre os que votaram em branco ou nulo, 51% reprovam a medida.
Reações nas redes
Nas redes sociais, a hashtag #BolsonaroPresoPolítico ficou entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter) após a divulgação da pesquisa, com milhares de postagens de apoiadores do ex-presidente criticando a decisão. Já os opositores usaram a hashtag #MoraesTemRazão para defender o ministro, citando a necessidade de preservar a integridade das investigações.
A pesquisa Genial/Quaest também avaliou outros temas, como a aprovação do governo Lula (que oscilou de 52% para 49%) e a percepção sobre a economia (38% dos entrevistados consideram que a situação econômica piorou nos últimos seis meses).



