O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, revelou nesta segunda-feira que alertou as autoridades iranianas sobre os riscos de uma escalada do conflito caso o Irã continue a fornecer apoio militar à Rússia. A declaração ocorre em meio a crescentes evidências de que Teerã tem enviado drones e outros equipamentos bélicos para Moscou, intensificando as tensões na região.
Advertência direta ao Irã
Em entrevista coletiva em Kiev, Kuleba afirmou ter transmitido a mensagem diretamente ao governo iraniano por meio de canais diplomáticos. "Deixamos claro que qualquer apoio militar à Rússia terá consequências graves e que o Irã está trilhando um caminho perigoso", declarou o ministro. A Ucrânia já havia rompido relações diplomáticas com o Irã em 2022, mas mantém contatos indiretos para tratar do tema.
Kuleba não detalhou quais seriam as possíveis retaliações, mas fontes do governo ucraniano indicam que Kiev estuda solicitar novas sanções internacionais contra Teerã e ampliar o isolamento diplomático do país. A advertência foi acompanhada de um apelo para que a comunidade internacional pressione o Irã a cessar qualquer cooperação militar com a Rússia.
Apoio iraniano à Rússia
Desde o início da invasão russa, o Irã tem sido acusado de fornecer drones Shahed e Mohajer à Rússia, que os utiliza em ataques contra infraestrutura civil ucraniana. Dados do governo ucraniano indicam que mais de 1.000 drones iranianos foram abatidos desde setembro de 2023. "Cada drone que vem do Irã carrega a assinatura de Teerã em crimes contra a humanidade", afirmou Kuleba.
A Rússia, por sua vez, nega a compra de equipamentos iranianos, mas especialistas apontam que os modelos utilizados são claramente de fabricação iraniana. A inteligência americana também confirmou a transferência de tecnologia e mísseis balísticos. O chanceler iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, já admitiu que o Irã vendeu drones para a Rússia, mas afirma que foram entregues antes do início da guerra.
Impacto na guerra
A participação iraniana no conflito preocupa a comunidade internacional. Analistas avaliam que o apoio de Teerã prolonga a capacidade russa de realizar ataques aéreos, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de sistemas de defesa antiaérea. Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, cerca de 40% dos ataques com drones contra Kiev utilizam equipamentos de origem iraniana.
Kuleba ressaltou que a Ucrânia não aceitará passivamente essa interferência. "Se o Irã não recuar, tomaremos medidas proporcionais para defender nossa soberania", advertiu. As declarações ocorrem em um momento de intensificação dos combates no leste do país, onde as forças russas avançam lentamente.
Reações internacionais
Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram veementemente o apoio iraniano à Rússia. O Departamento de Estado americano anunciou novas sanções contra entidades iranianas envolvidas na produção de drones. "O Irã não pode brincar com fogo sem sofrer as consequências", disse um porta-voz. A Ucrânia espera que a pressão internacional force uma mudança de comportamento em Teerã.
O governo iraniano, no entanto, minimizou o alerta ucraniano. "Nossas relações com a Rússia são legítimas e não afetam terceiros", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Nasser Kanaani. Apesar disso, a comunidade internacional segue monitorando de perto as movimentações entre os dois países.



