O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, negou nesta terça-feira ter aceitado o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Faixa de Gaza. Em um vídeo divulgado por seu gabinete, Netanyahu classificou a proposta como um 'rascunho' e condicionou a retirada das tropas israelenses ao desarmamento total do grupo terrorista Hamas.
Reação do premiê
Na gravação, Netanyahu afirmou que o plano anunciado por Trump na semana passada não é um acordo final e que Israel mantém suas exigências de segurança. 'Há um rascunho, não um acordo. O que aceitamos é que o Hamas seja completamente desarmado', disse o premiê, reforçando que a retirada militar só ocorrerá após o cumprimento dessa condição.
A declaração vem um dia após o chefe de Gabinete de Netanyahu, Tzachi Hanegbi, ter dito à imprensa que o plano 'não reflete as posições de Israel'. A contradição entre as falas gerou especulações sobre possíveis divergências internas no governo israelense, mas Netanyahu buscou alinhar o discurso.
Contexto do plano
Na semana passada, Trump apresentou uma proposta que previa um cessar-fogo e a reconstrução de Gaza, mas sem detalhar o futuro do Hamas. A comunidade internacional reagiu com cautela, enquanto Israel enfrenta pressão para encerrar a ofensiva que já dura mais de um ano.
Analistas apontam que a recusa pública de Netanyahu pode ser uma estratégia para ganhar tempo e fortalecer sua posição nas negociações, especialmente com o retorno de Trump à Casa Branca. Em paralelo, as forças israelenses continuam operações no norte de Gaza, onde o premiê foi visto em visita em 15 de abril, segundo a agência GPO/AFP.
Impacto e próximos passos
A exigência do desarmamento total do Hamas é vista como um obstáculo para qualquer acordo, já que o grupo controla partes do enclave e tem rejeitado depor armas. Especialistas em Oriente Médio ouvidos pela reportagem avaliam que a posição de Netanyahu pode levar a um impasse prolongado.
Enquanto isso, a população de Gaza enfrenta uma crise humanitária, com milhares de deslocados e escassez de alimentos. Organizações internacionais pedem um cessar-fogo imediato, mas Israel insiste que só aceitará uma trégua com garantias de segurança.
Reações internacionais
O governo dos EUA ainda não comentou oficialmente a declaração de Netanyahu. A Casa Branca apenas reiterou que o plano de Trump é 'uma base para negociações'. Países árabes, como Egito e Catar, que atuam como mediadores, tentam retomar as conversas, mas a condição israelense é vista como dura demais.
Netanyahu, por sua vez, afirmou que Israel 'continuará agindo até que a segurança dos cidadãos seja garantida'. A declaração aumenta a incerteza sobre o futuro do cessar-fogo, que já sofreu várias violações nas últimas semanas.



