O empresário Giovanni Paraschi Jafar, que estava foragido desde a deflagração da Operação Gutenberg, se entregou à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (14), em Campo Grande. Ele compareceu à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol acompanhado da advogada para cumprir o mandado de prisão expedido pela Justiça. A defesa também entregou à equipe policial uma receita médica e os medicamentos de uso contínuo do empresário.
Esquema de fraudes em contratos públicos
Giovanni é um dos investigados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em um suposto esquema de fraudes em contratos públicos para a compra de livros didáticos, que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Com a apresentação do empresário, apenas Heyder Bartz permanece foragido entre os alvos da operação. Ao todo, 15 pessoas já foram presas desde o início da força-tarefa, deflagrada no último dia 7 de julho pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Entre os presos estão um ex-prefeito, empresários, advogados, servidores públicos, uma médica e familiares dos investigados.
Família é apontada como núcleo do esquema
De acordo com o MPMS, a família Jafar seria a principal responsável pela organização criminosa. Giovanni é filho de Rossana Paroschi Jafar e de Mirched Jafar Junior, ex-sócios da Gráfica e Editora Alvorada, empresa investigada anteriormente na Operação Lama Asfáltica. Rossana Paroschi Jafar, além dos filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, também foi presa durante a operação.
As investigações apontam que Giovanni mantinha relacionamento com Rhayane de Souza Fanaia, proprietária da Editora Avante, empresa que, segundo o MPMS, era utilizada para firmar contratos públicos de forma irregular. Segundo os promotores, o grupo contratava com prefeituras por meio de dispensa de licitação, sob a alegação de exclusividade na comercialização de livros didáticos. No entanto, as obras fornecidas poderiam ser adquiridas por qualquer distribuidor, conforme a investigação.
Saúde de MS era moeda de troca
O Ministério Público também afirma que parte dos recursos obtidos com os contratos era distribuída entre integrantes do grupo, servidores públicos e empresas para ocultar a origem do dinheiro. Outro ponto investigado é a suspeita de que servidores da área da saúde condicionavam a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais estaduais à compra dos livros comercializados pelo grupo.
O esquema foi classificado como 'repugnante' pelos promotores, que destacam o uso da saúde pública como moeda de troca para beneficiar o grupo criminoso.



