Irã: sem benefícios, não há razão para honrar acordo nuclear
Irã: sem benefícios, não há razão para honrar acordo

O principal negociador nuclear do Irã afirmou nesta quarta-feira que não há razão para Teerã honrar o acordo nuclear de 2015 com as potências mundiais se não receber os benefícios econômicos prometidos. A declaração ocorre em meio a crescentes tensões entre o Irã e os Estados Unidos, que se retiraram unilateralmente do pacto em 2018 e impuseram sanções severas ao país persa.

Declaração do negociador iraniano

"Se não houver benefícios para o Irã, não há razão para honrar o acordo", disse o negociador, que não teve o nome revelado, em entrevista à agência de notícias local. "Os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações primeiro." A declaração reflete a frustração de Teerã com a falta de alívio das sanções, mesmo após o início das negociações indiretas com Washington em Viena, em abril.

Contexto do acordo nuclear

O acordo, formalmente conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), foi assinado em 2015 entre o Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha). Em troca da limitação do programa nuclear iraniano, as sanções internacionais seriam suspensas. No entanto, em 2018, o então presidente dos EUA, Donald Trump, retirou o país do acordo e reimpôs sanções, levando o Irã a começar a violar gradualmente seus compromissos.

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Impacto das sanções

As sanções dos EUA reduziram drasticamente as exportações de petróleo do Irã, de cerca de 2,5 milhões de barris por dia em 2018 para menos de 500 mil barris atualmente, segundo dados da Agência Internacional de Energia. A economia iraniana encolheu 6,8% em 2019, e a inflação anual atingiu 40% em 2020, de acordo com o Banco Mundial. "O povo iraniano sofreu muito com as sanções", afirmou o negociador. "Esperamos que a nova administração dos EUA adote uma abordagem diferente."

Negociações atuais

As conversas em Viena, mediadas pela União Europeia, buscam um retorno mútuo ao cumprimento do acordo. O Irã exige a remoção de todas as sanções impostas por Trump, enquanto os EUA querem que Teerã reverta suas violações, como o enriquecimento de urânio a 60%, próximo do nível necessário para armas. Até o momento, seis rodadas de negociações foram realizadas, sem avanços significativos.

Reação internacional

Os Estados Unidos reiteraram que as negociações não podem continuar indefinidamente. "O tempo está se esgotando", disse um porta-voz do Departamento de Estado. A França também expressou preocupação, alertando que o Irã está se aproximando perigosamente da capacidade de produzir uma arma nuclear. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, visitou Teerã em maio para tentar resolver questões de monitoramento, mas as inspeções continuam limitadas.

Perspectivas

Analistas avaliam que a posição iraniana pode ser uma tática de negociação para pressionar Washington a oferecer concessões. No entanto, se as negociações fracassarem, o risco de escalada militar aumenta. Israel, que se opõe ao acordo, já realizou exercícios militares simulando ataques a instalações nucleares iranianas. "Estamos preparados para todas as opções", afirmou um oficial israelense sob condição de anonimato.

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