O Irã rejeitou formalmente a proposta de Omã para uma administração conjunta do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo global. A decisão foi anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano nesta quarta-feira, elevando as tensões na região do Golfo Pérsico.
Detalhes da proposta rejeitada
A proposta de Omã, apresentada em julho, previa a criação de um órgão bilateral para supervisionar a navegação e a segurança no estreito, com participação de técnicos de ambos os países. O Irã, no entanto, considerou a oferta uma violação de sua soberania. "O Estreito de Ormuz está sob jurisdição exclusiva do Irã, e qualquer tentativa de internacionalizar sua administração é inaceitável", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Nasser Kanaani, em entrevista coletiva em Teerã.
Impacto regional e global
A recua acontece em meio a crescentes atritos entre o Irã e potências ocidentais, que acusam Teerã de ameaçar a liberdade de navegação. O estreito conecta os produtores de petróleo do Oriente Médio aos mercados globais, e sua segurança é vital para a economia mundial. Analistas apontam que a rejeição pode levar a um endurecimento das sanções contra o Irã. "Isso mostra que o Irã não está disposto a negociar sua influência na região", disse Ali Vaez, analista do International Crisis Group.
Reação de Omã
Omã, conhecido por seu papel mediador no Golfo, não comentou oficialmente a recusa, mas fontes diplomáticas indicam que o sultanato buscará alternativas multilaterais, possivelmente envolvendo a Organização das Nações Unidas. O estreito já foi palco de incidentes, como a apreensão de petroleiros pelo Irã em 2019.



