O Irã orientou os rebeldes Houthis do Iêmen a se prepararem para fechar a rota de navegação no Mar Vermelho, uma das passagens marítimas mais movimentadas do mundo, informaram fontes diplomáticas nesta quinta-feira. A instrução foi transmitida por comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã durante uma visita a Sanaa, capital controlada pelos Houthis.
Detalhes da orientação iraniana
De acordo com as fontes, a orientação ocorreu em reuniões realizadas nas últimas duas semanas. Os líderes Houthis foram instruídos a intensificar os ataques contra navios comerciais e militares que transitam pelo estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. O objetivo seria criar um bloqueio de fato, capaz de interromper o fluxo de petróleo e mercadorias entre a Ásia e a Europa.
Um diplomata ocidental, que falou sob condição de anonimato, afirmou: "O Irã está claramente tentando usar os Houthis como uma ferramenta para pressionar os países ocidentais e seus aliados regionais. A ordem é para que estejam prontos para agir em coordenação com Teerã."
Impacto na navegação global
O Mar Vermelho é responsável por cerca de 12% do comércio marítimo global, incluindo 30% do tráfego de contêineres. Um bloqueio na região poderia forçar navios a desviar pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, aumentando os custos de frete em até 30% e atrasando entregas em semanas. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, aproximadamente 7 milhões de barris de petróleo por dia passam pelo estreito de Bab el-Mandeb.
"Se os Houthis realmente fecharem a rota, veremos um aumento imediato nos preços do petróleo e uma disrupção nas cadeias de suprimento globais", disse John Smith, analista do Centro de Estudos Estratégicos de Washington.
Reações internacionais
Os Estados Unidos condenaram a orientação iraniana. O porta-voz do Departamento de Estado, Mark Johnson, declarou: "O Irã continua a desestabilizar a região ao armar e treinar grupos terroristas. Não permitiremos que o Mar Vermelho seja refém de suas ambições."
A Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar no Iêmen, afirmou estar em alerta máximo. O Ministério das Relações Exteriores saudita emitiu um comunicado: "Monitoramos de perto as movimentações dos Houthis e estamos prontos para proteger a liberdade de navegação."
Contexto regional
Os Houthis, que controlam grande parte do norte do Iêmen, vêm realizando ataques a navios desde novembro de 2023, em solidariedade ao Hamas na guerra de Gaza. Eles já afundaram pelo menos dois navios e danificaram dezenas outros com mísseis e drones. A nova orientação iraniana sugere uma escalada significativa, com potencial para envolver diretamente as forças navais de Irã e seus aliados.
Analistas apontam que o movimento também serve para desviar a atenção das negociações nucleares entre Irã e potências ocidentais. "Teerã está usando o Mar Vermelho como uma moeda de troca", afirmou a analista de segurança regional Laila Ahmed.



