O Brasil enfrenta dificuldades para encontrar novos mercados para seus produtos industriais após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, conhecidas como "tarifaço de Trump". A China, principal parceira comercial do país, não consegue substituir o mercado americano para manufaturados, pois absorve majoritariamente commodities agrícolas e minerais, como soja, carne e petróleo. A conclusão é de analistas consultados pelo jornal O Globo.
Impacto das tarifas nas exportações brasileiras
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% desde a implementação das tarifas, segundo dados do Ministério da Economia. O setor industrial foi o mais afetado, com destaque para máquinas, equipamentos e produtos siderúrgicos. A perda de competitividade frente a outros países que não sofreram com as tarifas agravou o cenário.
"A China não é capaz de substituir o mercado americano para produtos industriais brasileiros. O perfil de importação chinês é focado em commodities, enquanto os EUA adquirem bens de maior valor agregado", explica Maria Silva, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Alternativas para commodities e manufaturados
Para as commodities, a China continua sendo o principal destino, mas a diversificação é apontada como essencial. A União Europeia, a Índia e o Oriente Médio surgem como alternativas potenciais. A UE já é um grande comprador de café e suco de laranja, enquanto a Índia demanda petróleo e fertilizantes. O Oriente Médio, por sua vez, importa carnes e açúcar.
No entanto, para os produtos industriais, a situação é mais complexa. "Precisamos de acordos comerciais e de uma política industrial agressiva para conquistar novos mercados", afirma João Pereira, presidente da Associação Brasileira da Indústria (ABI). A diversificação é crucial para a resiliência do comércio exterior brasileiro, mas leva tempo e investimento.
Desafios e perspectivas
A busca por novos mercados enfrenta obstáculos como barreiras tarifárias e não tarifárias, além da concorrência de países como México e Vietnã. O governo brasileiro tem intensificado negociações com blocos como o Mercosul e a União Europeia, mas os avanços são lentos.
"A diversificação é uma questão de sobrevivência para a indústria brasileira. Não podemos depender de apenas dois ou três mercados", conclui Maria Silva. Enquanto isso, o setor industrial pressiona por medidas de estímulo à competitividade, como redução de custos logísticos e tributários.



