A Coreia do Norte afirmou nesta terça-feira (4) que fará "novas escolhas militares" contra o Japão, em resposta ao que considera ameaças de Tóquio. A declaração partiu de Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, após os japoneses testarem um míssil de cruzeiro Tomahawk. O teste foi o primeiro do Japão com esse tipo de armamento, realizado pelo destróier Chokai, da Força de Autodefesa Marítima, no Oceano Pacífico.
Reação da Coreia do Norte
Segundo a agência estatal norte-coreana KCNA, Kim Yo-jong também citou outros testes de mísseis feitos por Tóquio e a participação japonesa em um exercício militar liderado pelos Estados Unidos nas Filipinas, em maio. A norte-coreana afirmou que o Japão tenta "encobrir a ambição de se tornar uma potência militar" e acusou os EUA de estarem por trás desses "movimentos militares perigosos".
Kim Yo-jong disse que, para responder às atividades militares japonesas, a Coreia do Norte "estabelecerá opções militares adicionais", sem detalhar quais medidas serão adotadas. A declaração aumenta a tensão na região, que já vive um clima de hostilidade histórica entre os dois países.
O míssil Tomahawk
O Tomahawk é um míssil de cruzeiro desenvolvido nos EUA, em serviço desde a década de 1980. O Japão planeja investir US$ 1 bilhão para adquirir 400 unidades até março de 2028. Apesar de ser relativamente lento para os padrões de mísseis, o Tomahawk voa a cerca de 30 metros do solo, o que o torna difícil de ser detectado por sistemas de defesa. Seu alcance impressionante é de aproximadamente 1.600 quilômetros.
Os sistemas de orientação de precisão fazem do Tomahawk uma arma ideal para atingir alvos em terras distantes ou em território hostil. Os EUA lançam esses mísseis quase exclusivamente de navios ou submarinos. Embora o Exército americano desenvolva uma plataforma para lançá-los do solo, essa função ainda não está pronta para uso operacional, mesmo para as forças dos EUA.
Impacto regional
A aquisição dos Tomahawk pelo Japão representa uma mudança significativa em sua postura de defesa, tradicionalmente focada na autodefesa. O país busca fortalecer suas capacidades militares diante das ameaças crescentes da Coreia do Norte e da China. A resposta de Kim Yo-jong, no entanto, sinaliza que Pyongyang não ficará passiva diante desses movimentos.
Especialistas apontam que a retórica norte-coreana pode levar a um aumento das tensões na península coreana, com possíveis testes de mísseis ou outras provocações. A comunidade internacional acompanha com atenção os próximos passos de ambos os países, enquanto a diplomacia regional tenta evitar uma escalada militar.



