Calor extremo no Japão: bermudas no trabalho geram debate sobre 'assédio das pernas peludas'
Calor extremo no Japão: bermudas no trabalho geram debate

O Japão, enfrentando sucessivos verões de calor recorde, autorizou o uso de bermudas nos escritórios como parte da iniciativa "Cool Biz", que visa reduzir o uso de ar-condicionado e economizar energia. No entanto, a flexibilização gerou um novo debate: o chamado "sune-hara" ou "assédio das pernas peludas", referindo-se à aparência masculina com pernas à mostra.

Medida para combater o calor extremo

A iniciativa "Cool Biz" foi introduzida pelo governo metropolitano de Tóquio para enfrentar as temperaturas cada vez mais altas. Funcionários foram vistos vestindo bermudas enquanto trabalhavam no edifício do Governo Metropolitano de Tóquio, em 14 de julho de 2026, conforme registro fotográfico de Noriko Hayashi, do The New York Times. A medida permite roupas mais leves no ambiente de trabalho, mas tem provocado discussões sobre etiqueta e padrões de vestuário.

O debate sobre 'sune-hara'

O termo "sune-hara" combina as palavras japonesas para "perna" (sune) e "assédio" (hara, de harassment). Refere-se ao desconforto ou críticas direcionadas a homens que usam bermudas no trabalho, expondo pernas peludas. Alguns argumentam que a aparência não profissional pode prejudicar a imagem corporativa, enquanto outros defendem a liberdade de vestuário em condições climáticas extremas. O debate reflete tensões entre tradição e adaptação às mudanças climáticas.

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Impacto cultural e resistência

Apesar da autorização, a implementação enfrenta resistência. Muitas empresas ainda mantêm códigos de vestimenta rígidos, e funcionários relatam receio de serem julgados. A discussão também levanta questões sobre gênero, já que mulheres há muito tempo têm mais flexibilidade para usar saias ou vestidos leves. A iniciativa "Cool Biz" busca economia de energia, mas expõe desafios culturais profundos no Japão.

Mudanças climáticas e adaptação

Com verões cada vez mais quentes, o Japão tenta equilibrar conforto térmico e normas sociais. A medida é vista como um passo necessário para a adaptação ao calor extremo, mas ainda há um longo caminho para a aceitação plena. O debate sobre "sune-hara" mostra como pequenas mudanças no vestuário podem provocar grandes discussões sobre comportamento e aparência no ambiente de trabalho.

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