Líderes de 22 países da UE cobram resposta imediata sobre Ceuta
UE: 22 países pedem ação urgente sobre Ceuta

Vinte e dois líderes de países da União Europeia assinaram neste sábado, 1º, uma carta conjunta em que pedem uma resposta "imediata e coordenada" do bloco diante da pressão migratória na fronteira externa da Espanha, após os recentes acontecimentos em Ceuta. O documento foi endereçado ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao primeiro-ministro da Irlanda, país que ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE. A crise em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, ganhou projeção internacional depois que relatos apontaram a travessia massiva de migrantes, incluindo a estimativa de 50 mil pessoas em um único dia.

Preocupação com integridade das fronteiras

Na carta, os signatários afirmam estar "seriamente preocupados" com os desdobramentos na fronteira de Ceuta e dizem estar determinados a impedir que redes de tráfico de pessoas "desafiem a integridade das fronteiras externas da União". Segundo os líderes, uma decisão recente da Suprema Corte da Espanha foi utilizada para desencadear o aumento da pressão migratória e para explorar o sistema europeu de migração e asilo. O texto defende que a UE deve reforçar a dissuasão à imigração irregular por meio da coordenação entre os Estados-membros, do fortalecimento das fronteiras externas e da revisão de políticas que possam atuar como fatores de atração, citando a regularização de um grande número de imigrantes em situação irregular.

Medidas pedidas pelo grupo

"O atual cenário exige uma resposta europeia imediata e coordenada", afirma a carta. Os líderes elogiam a cooperação entre Espanha e Marrocos para promover o retorno rápido dos migrantes que entraram ilegalmente no território espanhol e dizem esperar que, com apoio da União Europeia, a situação seja colocada "sob total controle". No documento, os signatários pedem que a presidência irlandesa convoque com urgência uma videoconferência extraordinária dos ministros do Interior da UE para avaliar conjuntamente a situação e definir uma resposta coordenada.

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Entre as medidas sugeridas estão a rápida mobilização dos instrumentos disponíveis do bloco, apoio adicional à Espanha para restabelecer o controle efetivo da fronteira externa da União, reforço da atuação da agência europeia de fronteiras Frontex e uma avaliação da eficácia da cooperação entre UE e Marrocos. O documento ressalta ainda que, até o momento, não foram registrados movimentos secundários não autorizados de migrantes para outros países europeus.

Preparação para controles internos

Mesmo sem esses movimentos, os governos reiteram que estão preparados para adotar medidas previstas na legislação da União Europeia e no Código de Fronteiras Schengen, incluindo o reforço ou a reintrodução temporária de controles nas fronteiras internas, caso seja necessário para preservar a ordem pública. Os líderes afirmam que a proteção das fronteiras externas, a prevenção da imigração irregular e a solidariedade com os países sob maior pressão migratória são responsabilidades compartilhadas da União Europeia. "A situação atual exige unidade, determinação e urgência", destaca o documento.

Signatários

Assinam a carta os chefes de governo ou de Estado de Itália, Áustria, Bulgária, Croácia, Estônia, Alemanha, Hungria, Lituânia, Países Baixos, Romênia, Eslováquia, Dinamarca, Bélgica, Chipre, República Tcheca, Finlândia, Grécia, Letônia, Malta, Polônia, Eslovênia e Suécia. A divulgação ocorre em um momento de tensão na fronteira sul do bloco e sinaliza a busca por uma posição unificada entre os países europeus diante do desafio migratório.

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