Miguel Coelho desiste do Senado; Eduardo da Fonte vai na chapa de Lyra
Miguel Coelho desiste do Senado; Eduardo da Fonte em PE

Após o racha interno na federação formada por União Brasil e PP, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, oficializou sua desistência de disputar uma vaga ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, em Pernambuco. Com isso, o deputado federal Eduardo da Fonte, indicado pelo diretório estadual do PP, será o nome da federação na majoritária.

A decisão encerra um impasse que se arrastava nos bastidores políticos do estado. A sigla presidida nacionalmente por Antonio Rueda, o União Brasil, trabalhava para que Miguel Coelho fosse o candidato do bloco no palanque da governadora. No entanto, a indicação do diretório estadual do PP prevaleceu, garantindo a vaga a Eduardo da Fonte.

Racha na federação União-PP

A federação partidária, que reúne União Brasil e PP em âmbito nacional, também vale para as disputas estaduais. Em Pernambuco, a aliança enfrentava divergências desde o início das negociações. O União Brasil, por meio de sua cúpula nacional, defendia o nome de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e filho do senador Fernando Bezerra Coelho. Já o PP estadual, comandado por Eduardo da Fonte, reivindicava para si a vaga ao Senado.

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Miguel Coelho era visto como um nome com potencial para agregar votos no Sertão e no São Francisco, região onde possui forte base eleitoral. Sua pré-candidatura foi construída com o apoio de parte da cúpula nacional do União Brasil, inclusive com interlocução direta de Antonio Rueda. A avaliação era de que a presença do ex-prefeito fortaleceria a chapa majoritária e ampliaria o arco de alianças da governadora.

Do lado do PP, no entanto, a pressão pela indicação de Eduardo da Fonte foi intensa. O deputado federal é presidente estadual da legenda e há anos negocia uma vaga ao Senado com a base governista. Sua nomeação foi tratada como um acerto político com o partido, que já apoia a gestão de Raquel Lyra desde a eleição de 2022.

Decisão do diretório estadual prevalece

A escolha do diretório estadual do PP foi decisiva para o desfecho. Fontes ligadas à federação afirmam que a direção local da sigla recusou-se a abrir mão da vaga, mesmo diante da articulação nacional de Rueda. O impasse só foi resolvido após uma série de reuniões entre as cúpulas estaduais e nacionais, nas quais prevaleceu o argumento de que a decisão sobre a majoritária deveria respeitar a estrutura partidária local.

Com a desistência de Miguel Coelho, a federação ganha um cenário mais estável para a campanha. A governadora Raquel Lyra evita um desgaste político maior com os partidos aliados, enquanto Eduardo da Fonte consolida seu espaço na disputa. Para o União Brasil, o episódio expõe a força dos diretórios estaduais nas decisões estratégicas, mesmo quando a cúpula nacional se mobiliza em sentido contrário.

Impacto na chapa e nos arranjos estaduais

O desfecho também altera as projeções para a composição da chapa majoritária. Com Eduardo da Fonte na vaga ao Senado, a federação mantém a representatividade do PP na disputa, enquanto o União Brasil deve buscar espaço em outras instâncias, como a Câmara dos Deputados ou a Assembleia Legislativa. Miguel Coelho, por sua vez, deve se manter no rol de aliados da governadora, mas a derrota interna pode gerar novas movimentações nos próximos meses.

Para a oposição, o episódio é visto como uma oportunidade para explorar possíveis fissuras na base aliada. O racha na federação, embora contornado, deixou marcas no relacionamento entre as duas siglas. Analistas políticos locais apontam que a solução encontrada fortalece temporariamente a governadora, mas não elimina as tensões de fundo.

A oficialização da candidatura de Eduardo da Fonte deve ser formalizada nos próximos dias, conforme a resolução do diretório estadual. O deputado terá pela frente o desafio de ampliar sua visibilidade fora da base tradicional do PP, enquanto a federação União-PP busca manter a coesão até o registro das chapas.

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