O governo espanhol elevou para 67 o número de mortos na crise fronteiriça entre a Espanha e o Marrocos, em Ceuta, neste sábado, 1º de junho. Segundo as autoridades, as vítimas incluem pessoas que morreram afogadas e outras que faleceram em um tumulto ao tentar atravessar uma barreira junto ao quebra-mar.
O novo balanço foi divulgado em meio à repercussão da entrada em massa de migrantes no território espanhol no norte da África. Entre quinta-feira e sexta-feira, estima-se que entre 50 mil e 60 mil pessoas tenham rompido a fronteira do pequeno enclave, em um movimento que sobrecarregou a capacidade local de resposta.
Circunstâncias das mortes
O governo espanhol confirmou que as mortes ocorreram por afogamento e esmagamento. Muitos migrantes tentaram chegar a Ceuta por mar, contornando o quebra-mar, uma estrutura que avança da costa para proteger o porto. Outros tentaram forçar a passagem pela barreira localizada nesse trecho e acabaram vítimas da multidão.
As investigações sobre cada caso ainda estão em andamento, e não há informações se o número de vítimas pode ser revisado novamente.
Uma travessia em massa
A entrada de dezenas de milhares de pessoas é considerada um dos maiores fluxos migratórios já registrados em Ceuta. A cidade é um dos dois enclaves espanhóis no Marrocos, junto com Melilla, e representa uma das únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África.
Diante da crise, o governo espanhol anunciou a instalação de uma barreira de contenção de 500 metros de extensão ao longo da cerca do quebra-mar, avançando pelo mar. A medida mira exatamente o ponto utilizado pelos migrantes para furar o bloqueio.
Novas tentativas na praia de Tarajal
Neste sábado, um pequeno grupo de migrantes exaustos nadou até a praia urbana de Tarajal, em Ceuta. Eles foram recebidos por soldados, que os escoltaram de volta para o outro lado da fronteira, conforme registrado pelas autoridades.
A praia fica próxima ao quebra-mar e é frequentemente usada como ponto de desembarque por quem tenta entrar no território espanhol via mar.
Retorno ao Marrocos
O Ministério do Interior da Espanha afirmou que a maioria das pessoas que entraram no território espanhol já retornou ao Marrocos. O órgão não informou quantos migrantes ainda permanecem em Ceuta, mas garantiu que os procedimentos de devolução continuam sendo executados.
O episódio deve intensificar o debate sobre as políticas de migração na União Europeia, especialmente no que diz respeito à gestão das fronteiras externas e à cooperação com os países de origem e trânsito dos migrantes.
Implicações da crise
A crise em Ceuta também expõe a complexa relação entre Espanha e Marrocos no controle migratório. O país africano é frequentemente um ponto de partida para migrantes que buscam chegar à Europa, mas também atua como parceiro na repatriação daqueles que não obtêm asilo.
Ceuta, localizada na costa norte da África, é uma das portas de entrada da União Europeia na região. O número de mortos — 67 — é um indicador do perigo extremo enfrentado por quem tenta a travessia.
Enquanto a cidade tenta se reorganizar, as autoridades seguem monitorando a região para evitar um novo fluxo. A expectativa é de que o governo espanhol apresente um plano mais amplo para reforçar a segurança na fronteira e articular com Marrocos medidas conjuntas para prevenir novas tragédias.



