Israel critica plano de Trump para Gaza e exige desarmamento do Hamas
Israel critica plano de Trump e exige desarmamento do Hamas

O governo de Israel declarou, nesta segunda-feira (3), que transmitiu aos Estados Unidos suas objeções e preocupações em relação ao plano de paz para a Faixa de Gaza proposto pelo presidente americano, Donald Trump. A declaração ocorre em meio à continuidade dos bombardeios israelenses no território palestino, mesmo após o Hamas ter anunciado que aceitaria o desarmamento como parte do acordo.

A postura israelense evidencia um crescente distanciamento entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta uma acirrada disputa eleitoral em outubro e busca reforçar sua imagem de aliado próximo do líder americano. O gabinete de Netanyahu condiciona qualquer avanço a um desarmamento mais concreto por parte do Hamas, que na sexta-feira (31) sinalizou que entregaria as armas, conforme previsto no plano de Trump, que também inclui a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza.

Preocupações israelenses e resposta americana

Em comunicado à agência AFP, Doron Spielman, porta-voz do gabinete do primeiro-ministro israelense, afirmou: "Israel transmitiu suas observações e preocupações sobre o plano proposto às nossas contrapartes americanas. A versão que foi tornada pública não reflete as posições de Israel". Spielman também revelou que os serviços de inteligência israelenses detectaram que o Hamas está se rearmando e recrutando novos membros desde o cessar-fogo anunciado por Trump em outubro de 2025.

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O cessar-fogo, embora tenha reduzido a intensidade dos combates, não interrompeu por completo os ataques israelenses. As forças de Israel justificam as ações como necessárias para atingir combatentes ou infraestruturas do Hamas, alegação que é frequentemente questionada por fontes locais em Gaza. Uma fonte no território palestino informou à AFP que pelo menos 19 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde domingo (2) em "mais de 10 ataques efetuados por aviões de combate israelenses".

Números da tragédia e posição israelense

Desde a assinatura da trégua, mais de 1.200 palestinos morreram na Faixa de Gaza, segundo as autoridades locais. Por outro lado, o Exército israelense afirma ter perdido cinco soldados e um civil no mesmo período. Esses números ilustram a fragilidade do cessar-fogo e a persistência do conflito.

Trump, por sua vez, classificou seu plano para Gaza como um "marco importante" nos esforços para encerrar a devastadora guerra iniciada com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Ele também declarou à imprensa que Israel estava "muito satisfeito" com a evolução das negociações. Contudo, o porta-voz de Netanyahu rebateu, afirmando que as ações do Hamas indicam que o grupo se prepara para "novos massacres do tipo 7 de outubro".

Visão de paz em contradição com a realidade

O plano divulgado pelo "Conselho de Paz" de Trump estabelece que Gaza se torne "uma zona desmilitarizada, desradicalizada, livre do terrorismo e que não represente nenhuma ameaça para seus vizinhos". No entanto, o gabinete israelense considera essa visão "em contradição direta com a realidade atual e com as intenções declaradas do Hamas".

"O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas", enfatizou Spielman. "Qualquer medida que não conduza a uma desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel". Essa posição reflete a desconfiança israelense em relação às promessas do grupo palestino.

Uma fonte política israelense, ouvida no fim de semana, reforçou que o país, que mantém o controle sobre a maior parte da Faixa de Gaza, não retirará suas forças no âmbito do plano sem antes verificar o desarmamento do Hamas. Essa condição é vista como um obstáculo para a implementação do acordo, que já enfrenta resistências de ambos os lados.

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