EUA realizam novos ataques contra o Irã e tráfego no Estreito de Ormuz despenca
EUA atacam Irã e tráfego no Estreito de Ormuz despenca

Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o Irã nesta quinta-feira, no quinto dia consecutivo de ofensivas, em meio à escalada das hostilidades no Oriente Médio e à forte queda no tráfego marítimo no estratégico Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central dos EUA, os novos ataques começaram às 15h de Brasília e tinham como objetivo “degradar ainda mais as capacidades militares iranianas”. A ofensiva ocorreu após bombardeios anteriores que atingiram um navio-tanque perto do principal terminal de exportação de petróleo do Irã.

Resposta iraniana e ameaças ao estreito

Teerã respondeu aos ataques anteriores disparando contra bases americanas no Kuwait e na Jordânia. As Forças Armadas do Kuwait disseram ter interceptado 32 drones iranianos que tinham como alvo instituições “vitais” no país. Destroços causaram danos em áreas residenciais. O Irã não recuou diante do aviso do presidente Donald Trump de que ampliaria os ataques militares — citando usinas e pontes iranianas como possíveis alvos — até que a República Islâmica reabra o Estreito de Ormuz, gargalo crucial para o fornecimento global de energia e agora epicentro do conflito.

“Enquanto os Estados Unidos não aceitarem o sistema jurídico iraniano, esse estreito permanecerá fechado”, disse um porta-voz do Exército iraniano, segundo a agência semioficial Iranian Students’ News Agency. A fala parece se referir à exigência de Teerã de que navios peçam autorização ao país antes de atravessar Ormuz e sigam suas regras, incluindo eventual cobrança de tarifas de serviço. O Irã também pediu a seus aliados houthis no Iêmen que fechem a rota petrolífera do Mar Vermelho caso os EUA ataquem a rede elétrica iraniana, informou a Reuters, citando fontes com conhecimento do assunto.

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Impacto no tráfego e no mercado de petróleo

Os dados de rastreamento marítimo compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego comercial observável pelo estreito ficou escasso, com a maior parte das travessias limitada a embarcações ligadas ao Irã e autorizadas por Teerã a usar a rota ao norte. A desaceleração fez a média móvel de sete dias do fluxo de petróleo bruto pelo estreito, incluindo a oferta iraniana, cair para cerca de 5,5 milhões de barris por dia até quarta-feira, ante aproximadamente 9,4 milhões na semana anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados de rastreamento naval e informações da Kpler e da Vortexa.

O petróleo fechou em queda, apesar de seguir acumulando forte alta na semana. O WTI recuou cerca de 1%, para perto de US$ 79 por barril, enquanto o Brent caiu em torno de 1%, encerrando próximo de US$ 84. Ambos os contratos sobem mais de 10% na semana por causa da retomada das hostilidades.

Bloqueio e sanções dos EUA

Em meio à piora das tensões desde o início da semana passada, os EUA restabeleceram o bloqueio a portos iranianos e encerraram uma isenção sobre sanções ao petróleo. O bloqueio, que ameaça enfraquecer ainda mais a já pressionada economia iraniana, havia sido imposto pela primeira vez em abril e suspenso com a assinatura do acordo de paz. Mais cedo nesta quinta-feira, os EUA disseram ter atingido um superpetroleiro perto do terminal de exportação iraniano na ilha de Kharg, no primeiro ataque a uma embarcação desde a retomada do bloqueio. Os militares americanos afirmaram que o navio, de bandeira de Curaçao e “sem carga”, ignorou múltiplos alertas enquanto se dirigia a um porto iraniano.

Consequências econômicas e declarações oficiais

O rial iraniano se desvalorizou no último mês. Nesta quinta-feira, a moeda era negociada perto de 1,9 milhão por dólar, cerca de 20% abaixo do nível anterior ao acordo interino, segundo o site Bonbast.com, que acompanha sua cotação no mercado paralelo. Em entrevista ao podcaster Joe Rogan, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, rejeitou a ideia de que as negociações com o Irã sejam inúteis e afirmou que o país não pretende enviar tropas terrestres para derrubar o governo iraniano. “Não vamos enviar 150 mil soldados em terra para promover uma mudança de regime, a menos que as próprias pessoas no terreno queiram esse resultado”, disse ele, em referência aos iranianos.

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Já o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país nas conversas de paz agora paralisadas com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã não tem “motivo para continuar comprometido” com o acordo interino assinado há cerca de um mês. Ele, no entanto, evitou dizer que Teerã deixará formalmente o memorando de entendimento. Analistas do RBC, entre eles Helima Croft, disseram a clientes que “o cessar-fogo acabou, com embarcações sob forte fogo iraniano”. “Não vemos o tráfego em Ormuz voltando aos níveis pré-guerra enquanto armadores tiverem que lidar com a ameaça de minas, mísseis, drones e pedágios impostos por Teerã”, escreveram.