A Europa enfrenta uma nova onda de calor com temperaturas que podem superar os 40°C em vários países, provocando incêndios devastadores, mortes e impactos na infraestrutura. Espanha, Portugal e França estão entre os mais afetados, com termômetros chegando a 42°C no sul da Espanha e 40°C no oeste da França. O Reino Unido também deve registrar máximas de 35°C no sudeste da Inglaterra.
O que está por trás da onda de calor?
A onda de calor é causada por uma área persistente de alta pressão sobre a Europa, que bloqueia frentes frias, reduz a formação de nuvens e mantém o céu aberto. O ar quente do Norte da África é transportado para o continente, e o solo seco aquece mais rapidamente, intensificando as temperaturas. O aquecimento global eleva a temperatura de partida e torna esses eventos mais frequentes e intensos. A Europa é o continente que mais se aquece no planeta, e estima-se que dezenas de milhares de pessoas morram anualmente por causas relacionadas ao calor.
Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, afirmou: "A onda de calor brutal na Europa carrega as marcas da crise climática por toda parte – é o preço mais recente a pagar pela poluição dos combustíveis fósseis que assola nosso planeta". Ele acrescentou: "Escolas fechando, pessoas vulneráveis morrendo e economias sofrendo: é assim que a crise climática se apresenta na prática".
Incêndios florestais avançam rapidamente
O calor e a seca transformam a vegetação em combustível, permitindo que pequenas chamas se espalhem rapidamente. Na França, Espanha e Portugal, várias regiões estão sob risco máximo de incêndio. Na Grécia, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou para "dias difíceis pela frente". No Reino Unido e na Irlanda, também há preocupação, com um grande incêndio perto do Parque Nacional de Cairngorms, na Escócia, que mobilizou centenas de bombeiros.
Sequência de ondas de calor desde maio
Esta é a quarta onda de calor desde maio, com recordes registrados em Portugal, França e Reino Unido. A primeira ocorreu no fim de maio, a segunda em meados de junho, a terceira no início de julho e a quarta começou no fim de julho. Cada país define ondas de calor por critérios próprios, o que torna a contagem não oficial.
Impactos na saúde e na infraestrutura
O calor extremo causa desidratação, insolação e agravamento de doenças crônicas, especialmente em idosos, crianças e trabalhadores ao ar livre. As noites quentes impedem a recuperação do organismo. Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, destacou: "O trabalho agora ocorre em duas frentes: corrigir o que falhou nas últimas semanas antes que a próxima onda de calor chegue e construir sistemas de saúde que não apenas reajam ao calor extremo, mas estejam preparados para ele".
Rios como o Danúbio e o Reno estão com níveis baixos, afetando a navegação, o turismo e a produção de energia hidrelétrica. Estradas e trilhos sofrem com o calor, e o consumo de eletricidade aumenta com o uso de ar-condicionado, pressionando as redes elétricas.
Próximos dias
O núcleo de calor deve avançar para o centro e leste da Europa, atingindo Itália, Bálcãs e leste europeu. No Reino Unido, o pico deve ocorrer no sudeste da Inglaterra, com máximas de 35°C. As previsões podem mudar, mas o calor deve persistir ao longo da semana.



