Os Estados Unidos lançaram na madrugada desta quarta-feira (29) uma série de bombardeios contra alvos militares iranianos na Síria e no Iraque, em resposta a um ataque surpresa com drones que atingiu bases americanas no norte do Iraque. A operação, autorizada pelo presidente Joe Biden, teve como objetivo destruir instalações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) usadas para lançar ataques contra forças dos EUA na região.
Ataque inicial e vítimas
O ataque iraniano, ocorrido na segunda-feira (27), utilizou drones Shahed-136, fabricados pelo Irã, contra a base aérea de Erbil e o campo de treinamento de Ain al-Asad. Segundo o Pentágono, oito soldados americanos ficaram feridos, um deles em estado grave, e dois contratados civis morreram. As autoridades iraquianas também relataram danos em instalações próximas.
“Este ataque foi uma escalada direta e não provocada. Nossa resposta será decisiva e proporcional”, afirmou o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, em comunicado oficial. A administração Biden vinha tentando conter as tensões no Oriente Médio, mas a ação iraniana foi considerada um “ultraje” pelo Conselho de Segurança Nacional.
Bombardeio americano e alvos
Os bombardeios americanos atingiram três complexos da IRGC na Síria, perto da fronteira com o Iraque, e dois depósitos de munição no oeste do Iraque. Foram utilizados caças F-15 e F-16, além de mísseis de cruzeiro lançados de navios no Mar Mediterrâneo. De acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM), cinco membros da Guarda Revolucionária morreram e dez ficaram feridos. Não há relatos de vítimas civis até o momento.
A operação durou cerca de 45 minutos e foi monitorada por satélites e drones de vigilância. “Enviamos uma mensagem clara de que não toleraremos ataques às nossas tropas. O Irã arcará com as consequências”, declarou o general Michael Kurilla, comandante do CENTCOM, em entrevista coletiva.
Reação do Irã e impactos regionais
O governo iraniano condenou os bombardeios, classificando-os como “agressão flagrante”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que reserva-se o direito de responder no momento adequado. A Guarda Revolucionária, por sua vez, prometeu vingança, elevando o risco de um conflito direto entre os dois países.
Analistas apontam que a situação é a mais tensa desde a crise de 2020, quando os EUA mataram o general Qasem Soleimani. “Estamos à beira de uma guerra regional. Qualquer passo em falso pode desencadear um confronto de grandes proporções”, alertou Ahmed al-Husseini, cientista político da Universidade de Bagdá.
O governo iraquiano, que tenta equilibrar-se entre os aliados iranianos e americanos, expressou preocupação com a escalada. O primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani pediu calma e convocou uma reunião de emergência com líderes militares.
Posição internacional e próximos passos
A União Europeia e a ONU instaram ambos os lados à moderação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “cessar imediato das hostilidades” e o retorno às negociações diplomáticas. Os EUA, no entanto, indicaram que manterão capacidade de resposta a novas provocações.
O presidente Joe Biden afirmou que os bombardeios foram “defensivos” e que os EUA não buscam guerra com o Irã, mas não hesitarão em proteger suas forças. “Não vamos recuar diante de ameaças. Mas também não queremos um conflito mais amplo”, disse Biden em breve pronunciamento na Casa Branca.
Enquanto isso, o comando militar americano elevou o nível de alerta das bases na região e suspendeu voos de drones não essenciais. A expectativa é de que novas sanções econômicas contra o Irã sejam anunciadas nos próximos dias.



