Ataque em parada LGBTQIA+ de Berlim reacende debate sobre desradicalização
Ataque em parada LGBTQ+ de Berlim reacende debate sobre desradicalização

O atentado fatal durante a Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim, no sábado passado, atribuído ao islamista Abdul B., de 21 anos, reacendeu na Alemanha o debate sobre as medidas de combate à radicalização. O jovem, morto pela polícia quando estava em fuga, havia participado de duas conversas preliminares de um programa de desradicalização em Berlim, mas os responsáveis não acreditaram em sua vontade real de abandonar o extremismo.

Radicalização cada vez mais jovem e online

Segundo Stefanie Adler, assistente social do Programa de Desligamento do Islamismo (API) do estado da Renânia do Norte-Vestfália, o público atendido pelo projeto se tornou consideravelmente mais jovem nos últimos dois anos. “Antes, as pessoas viajavam para a Síria e era mais ou menos claro que haviam se unido ao Estado Islâmico e se radicalizado por lá, na vida real”, explica. Hoje, a radicalização ocorre frequentemente por meio de mídias digitais, com as redes sociais funcionando como “aceleradores da radicalização”, de forma muito mais rápida.

Programas de desradicalização: um processo demorado

Thomas Mücke, diretor-executivo do Violence Prevention Network, relatou que Abdul B. provavelmente não teria sido aceito no programa por falta de motivação genuína. Viola Geiger, psicóloga do API, detalha que o acompanhamento é um processo demorado, com encontros semanais ou mensais, podendo levar anos. Em um caso, o acompanhamento durou sete anos. “Qual seria a alternativa se eles não existissem? Muitas pessoas que deixam a prisão precisam desse tipo de programa para se reintegrar”, defende Adler, destacando que muitas histórias de sucesso nunca vêm a público.

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Problema persistente e fatores de radicalização

Jamuna Oehlmann, diretora-executiva da Associação Federal para o Extremismo de Motivação Religiosa (BAG RelEx), afirma que o episódio não foi uma surpresa, pois o islamismo radical persiste na Alemanha, com cada vez mais mulheres jovens se radicalizando. Ela lista os “fatores de impulso”: perda de um dos pais, fracasso escolar, falta de moradia, desemprego, discriminação e bullying. “Existem islamistas que sabem explorar essas crises pessoais e se aproximam exatamente nesses momentos, fazendo os jovens sentirem que ‘conosco você será ouvido’”, explica.

Ameaça de cortes de verba e reconsideração

A ministra da Educação, Karin Prien, havia anunciado cortes no programa Demokratie leben, que financia cerca de 200 projetos, dos quais 23 integrantes da BAG RelEx seriam afetados. Oehlmann critica a medida: “Isso atinge projetos que fazem um bom trabalho. Precisamos de certezas e planejamento de longo prazo.” Após o atentado, Prien sinalizou que poderá disponibilizar 5 milhões de euros aos estados para iniciativas de combate à radicalização.

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