O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta sexta-feira (19) o Boeing 747-8 que servirá como novo avião presidencial americano. A aeronave, presenteada pelo governo do Catar, tem “praticamente o dobro do tamanho” do modelo anterior, segundo Trump.
“Com a dedicação extraordinária de muitos de vocês aqui hoje, este avião foi transformado em uma Casa Branca voadora em um nível de luxo que ninguém jamais viu antes”, declarou Trump diante da aeronave, dentro de um hangar na Base Conjunta Andrews.
O avião, batizado pela Força Aérea como VC-25B Bridge aircraft, deve iniciar os voos de comissionamento inicial após adaptações feitas pelos Estados Unidos para uso governamental. O modelo funcionará como solução temporária até a chegada de uma nova frota de aviões da Boeing, prevista para 2028.
Pintura renovada
A pintura nas cores branco, vinho e azul-marinho representa uma mudança marcante em relação ao tradicional azul-claro dos aviões em serviço há décadas. “Nós pintamos tudo, e estas são as novas cores: vermelho, branco e azul”, disse Trump. “Nós gostávamos do azul-claro, mas era hora de mudar. E este é o desenho mais elegante. Tudo foi muito bem projetado. Foi do meu gosto.”
Trump indicou que será necessário um hangar maior na base militar para acomodar os novos modelos, “muito maiores”, que ainda não foram entregues, além do jato recebido como presente. Ele acrescentou que planeja um sobrevoo da nova aeronave em 4 de julho sobre a Casa Branca e o Capitólio.
Controvérsia e segurança
A decisão de Trump de aceitar o avião do governo do Catar provocou forte controvérsia no início de seu segundo mandato, levantando questionamentos sobre influência estrangeira e segurança, incluindo se a aeronave poderia ser devidamente adaptada para missões e assuntos sigilosos. “Quero agradecer ao emir do Catar”, disse Trump. “Ele é um sujeito fantástico.”
A Força Aérea dos EUA afirmou em comunicado que a aeronave é “segura, protegida e equipada com as tecnologias mais avançadas necessárias para atender aos requisitos da missão presidencial”. “Esses requisitos foram cuidadosamente elaborados para priorizar a missão em vez da estética, deixando grande parte da configuração interna anterior do chefe de Estado com mudanças mínimas”, disse a Força Aérea. “Nenhum risco foi assumido em segurança, proteção ou comunicações da missão.”
O secretário da Força Aérea, Troy Meink, afirmou no ano passado que a adaptação do avião presenteado pelo Catar provavelmente custaria menos de US$ 400 milhões.
Despedida do modelo anterior
Autoridades da Casa Branca prestaram homenagem à versão anterior do avião, identificada pelo número de cauda 29000, depois que Trump retornou da cúpula do G7 a bordo da aeronave no início desta semana, naquela que foi sua última viagem internacional como Air Force One. O diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, disse que foi “a última viagem”, enquanto o vice-chefe de gabinete, Dan Scavino, publicou um curto vídeo de despedida do avião.
“Ele se tornou o avião mais famoso do mundo inteiro”, disse Trump, acrescentando que provavelmente vai “colocá-lo em um museu”. “A idade finalmente começou a pesar.”
O par atual de aviões está em serviço desde os anos 1990. A aeronave da qual assessores se despediram na quinta-feira esteve presente em momentos históricos: foi o avião em que o presidente George W. Bush estava a bordo após os ataques de 11 de setembro.
Não ficou imediatamente claro se o outro jato 747-200B, de número de cauda 28000, já fez sua última viagem internacional. Também não estava claro se o 29000 ainda será usado em viagens domésticas.
No início deste ano, o Air Force One foi obrigado a retornar durante uma viagem de Trump a Davos, com a Casa Branca citando um “pequeno problema elétrico”. Trump então voou em um avião menor, o que indicou que a segunda aeronave de grande porte estava indisponível.



