O espelho d'água do Lincoln Memorial, em Washington D.C., começou a apresentar descascamento da tinta menos de duas semanas após a conclusão de uma reforma de US$ 14,7 milhões (cerca de R$ 75,6 milhões) ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A obra, realizada sem licitação, visava eliminar a tonalidade esverdeada causada por algas e pintar o fundo de azul. No entanto, na quinta-feira (18), visitantes notaram que a tinta se soltava do fundo e se misturava à água, que ainda mantinha coloração esverdeada.
Trump alega vandalismo sem apresentar provas
Nesta segunda-feira (22), Trump voltou a afirmar que o espelho d'água foi "vandalizado" e que produtos químicos foram colocados ilegalmente na água. Em publicação no Truth Social, escreveu: "Foi feito um corte de cerca de 90 metros de comprimento, produtos químicos foram colocados ilegalmente na água". O presidente ameaçou os responsáveis com prisão: "Existe uma pena de 10 anos de prisão para a destruição, ou mesmo para a tentativa de destruição, desse tipo de patrimônio — e ela será aplicada integralmente!". Trump não apresentou provas para sustentar as acusações.
Detalhes da reforma e problemas identificados
A piscina refletora foi esvaziada e reformada para as celebrações dos 250 anos da Independência dos EUA. O contrato de US$ 14,7 milhões foi firmado sem licitação com a Atlantic Industrial Coatings, empresa da Virgínia. Trump anunciou a conclusão da obra em 6 de junho. No entanto, já na quinta-feira (18), a tinta começou a descascar, e trabalhadores passaram a despejar peróxido de hidrogênio para combater algas que ainda deixavam a água verde, em vez do azul-escuro esperado.
Reações de visitantes e falta de posicionamento oficial
O Serviço Nacional de Parques, responsável pela administração do National Mall, não se manifestou oficialmente até a última atualização desta reportagem. A Atlantic Industrial Coatings também não comentou. Visitantes demonstraram insatisfação. Robert Dale, em entrevista à Reuters, disse: "Quero meu dinheiro de volta depois de ver isso. Acho que nossos recursos poderiam ser usados muito melhor em outro lugar. Acho que essa piscina refletora era bonita antes, antes de toda essa atenção".
Contexto das reformas em Washington
A obra no Lincoln Memorial integra os planos de Trump para remodelar a capital, que incluem a construção de um novo salão de bailes no local da Ala Leste da Casa Branca e um grande arco próximo ao Cemitério Nacional de Arlington. O governo Trump tem enfrentado críticas por acelerar processos de planejamento destinados a preservar a aparência histórica de Washington, classificando as críticas como ataques partidários e exaltando a experiência do presidente como empresário do setor imobiliário.



