O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de até 200% sobre a importação de medicamentos genéricos. A medida, que visa proteger a indústria farmacêutica americana, pode ter impactos significativos no comércio global e afetar diretamente o Brasil, um dos maiores produtores de genéricos do mundo.
Detalhes da tarifa
Segundo Trump, a tarifa será aplicada a todos os medicamentos genéricos importados, com alíquotas que podem chegar a 200% do valor do produto. A justificativa é incentivar a produção doméstica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. A medida deve entrar em vigor nos próximos meses, após período de consulta pública.
Especialistas apontam que a tarifa pode elevar os preços dos medicamentos nos EUA e provocar retaliações de países afetados. O Brasil, que exporta cerca de US$ 1 bilhão em genéricos para os EUA anualmente, pode ser um dos mais prejudicados.
Reação do governo brasileiro
O governo Lula estuda medidas de resposta, incluindo a aplicação da Lei de Reciprocidade, que permite elevar tarifas sobre produtos americanos. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que acompanha o caso com atenção e buscará negociação para evitar uma guerra comercial.
“A tarifa é injustificada e viola as regras da OMC. Vamos defender nossos interesses e os da indústria nacional”, disse o ministro da Economia, Fernando Haddad, em nota.
Impacto no setor farmacêutico
No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Genéricos (ABRAGEN) estima que a tarifa pode reduzir as exportações em até 30% no curto prazo, afetando empregos e investimentos. A entidade defende a diversificação de mercados e o fortalecimento do comércio com outros países.
“Precisamos de uma política industrial robusta e de acordos comerciais que nos protejam de medidas protecionistas”, afirmou o presidente da ABRAGEN, Odnir Finotti.
Cenário internacional
A medida de Trump ocorre em meio a tensões comerciais com a China e a União Europeia. A Organização Mundial do Comércio (OMC) já sinalizou que pode intervir caso a tarifa seja considerada discriminatória. A Arábia Saudita, que recentemente obteve aprovação para enriquecer urânio, também observa os desdobramentos.
Analistas do Itaú BBA projetam que o Ibovespa pode reagir negativamente, mas destacam que setores como o de saúde podem se beneficiar com a substituição de importações. A WEG, por exemplo, viu suas ações dispararem após dados do 2T, sinalizando que o temor do mercado pode ter ido embora.



