EUA tornam permanente fiança de até US$ 20 mil para vistos de 50 países
EUA tornam permanente fiança para vistos de 50 países

O programa de fiança para vistos de negócios e turismo (B1 e B2) dos Estados Unidos deixou de ser experimental. O Departamento de Estado anunciou nesta sexta-feira, 31 de janeiro, que a exigência de caução de até US$ 20 mil por solicitante será permanente para cidadãos de 50 países, com destaque para nações africanas. A medida passa a valer em 3 de agosto, quando for publicada no Federal Register, o Diário Oficial dos EUA. O Brasil está fora da lista.

Entenda a decisão

O aviso oficial foi publicado no site do Departamento de Estado e transforma em regra permanente um mecanismo que até então era testado. Na prática, a fiança poderá ser exigida de qualquer solicitante dos países listados, mas o valor dependerá da avaliação consular. O teto de US$ 20 mil é o máximo, não um valor automático.

Os vistos B1 e B2 são as principais categorias de visto de não imigrante para entrada temporária nos EUA, usadas por quem viaja a negócios ou turismo. O programa atinge especificamente essas duas modalidades.

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Fiança como condição para o visto

Pelas novas regras, oficiais consulares passam a ter autorização para pedir o depósito da fiança a solicitantes de vistos B1 e B2. No comunicado, o Departamento de Estado afirma: "Os funcionários consulares podem exigir que os solicitantes de vistos de não imigrante abrangidos depositem uma caução de até US$ 20.000 como condição para a emissão do visto, conforme determinado pelos funcionários consulares".

O anúncio ocorre depois de um ano de projeto-piloto. Segundo a nota, o teste "forneceu dados suficientes para sugerir que um programa de fiança de visto é uma ferramenta eficaz" contra a permanência irregular.

Justificativa do governo americano

O programa tem como alvo visitantes temporários que permanecem nos EUA além do prazo autorizado. O governo diz que relatórios federais mostram que milhares de pessoas nessa situação entram com vistos de não imigrante. A caução funcionaria como uma garantia financeira para assegurar a saída do viajante antes do vencimento do período permitido.

Os países atingidos foram selecionados com base em cinco critérios: altas taxas de permanência irregular após a expiração do visto; deficiências no compartilhamento de informações com os EUA; sistemas considerados insuficientes de verificação de identidade e antecedentes criminais; falhas em processos de triagem; e problemas de segurança documental e emissão de cidadania.

Lista de países sujeitos à caução

A relação divulgada pelo Departamento de Estado inclui:

  • Argélia
  • Angola
  • Antígua e Barbuda
  • Bangladesh
  • Benim
  • Botsuana
  • Burundi
  • Butão
  • Cabo Verde
  • Camboja
  • Costa do Marfim
  • Cuba
  • Djibuti
  • Dominica
  • Etiópia
  • Fiji
  • Gabão
  • Gâmbia
  • Geórgia
  • Granada
  • Guiné
  • Guiné-Bissau
  • Lesoto
  • Malaui
  • Maurícias
  • Mauritânia
  • Mongólia
  • Moçambique
  • Namíbia
  • Nepal
  • Nicarágua
  • Nigéria
  • Papua Nova Guiné
  • Quirguistão
  • República Centro-Africana
  • São Tomé e Príncipe
  • Seicheles
  • Senegal
  • Tajiquistão
  • Tanzânia
  • Togo
  • Tonga
  • Tunísia
  • Turcomenistão
  • Tuvalu
  • Uganda
  • Vanuatu
  • Venezuela
  • Zâmbia
  • Zimbábue

O grupo é formado majoritariamente por nações africanas, mas também há países da Ásia, do Caribe e da Oceania. A Venezuela é o único representante da América do Sul na lista.

Impacto prático

A decisão não atinge brasileiros, mas viajantes dos países listados que pretendem ir aos EUA precisarão estar atentos à possibilidade de desembolsar até US$ 20 mil como condição para obter o visto. O valor exato dependerá da análise de cada caso pelos oficiais consulares.

O programa entra em vigor em 3 de agosto, data prevista para publicação no Federal Register. Segundo o Departamento de Estado, a decisão foi baseada na experiência do ano-piloto, considerada exitosa pelas autoridades americanas no combate à permanência irregular.

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