Chefias falham ao reforçar cultura organizacional, aponta pesquisa
Chefias falham ao reforçar cultura organizacional

Um levantamento recente trouxe à tona um problema comum nas empresas brasileiras: a dificuldade das lideranças em reforçar a cultura organizacional. O estudo, que ouviu 173 profissionais de recursos humanos de 65 companhias no Brasil, identificou falhas como a falta de reconhecimento dos bons funcionários e a pouca utilização dos valores corporativos nos processos de feedback e promoção.

Os principais erros das chefias

De acordo com a pesquisa, os gestores frequentemente deixam de lado os princípios que a própria empresa declara seguir. No dia a dia, isso significa que um colaborador pode ser promovido sem que sua conduta esteja alinhada aos valores institucionais, ou que o reconhecimento seja raro e sem critérios claros.

O não reconhecimento dos bons funcionários é um dos fatores que mais geram insatisfação. Quando alguém se dedica e entrega resultados, espera algum retorno. Se a chefia ignora, a falta de motivação se espalha. A pesquisa mostra que essa é uma prática recorrente nas organizações analisadas.

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Outro ponto destacado é a baixa integração dos valores corporativos nas avaliações. Os valores acabam restritos a discursos e apresentações, sem impacto real nas decisões de carreira.

O papel do RH e das chefias imediatas

O departamento de recursos humanos atua como guardião da cultura, mas a responsabilidade de aplicá-la no cotidiano é das chefias. São os líderes de cada equipe que observam o desempenho, dão feedback e indicam promoções. Se esses gestores não têm clareza sobre os valores da empresa, ou não os consideram importantes, a cultura se perde.

O estudo com 173 lideranças de RH em 65 companhias brasileiras sugere que é necessário investir na capacitação desses líderes. Não basta divulgar um código de conduta; é preciso treinar as pessoas para que elas tomem decisões alinhadas à cultura.

Cultura organizacional e resultados

Empresas com culturas fortes tendem a ter equipes mais engajadas, menor rotatividade e melhores resultados financeiros. A pesquisa não correlaciona diretamente esses fatores, mas a literatura de gestão aponta para isso. Quando os funcionários se sentem reconhecidos e veem seus valores refletidos nas práticas, eles se tornam mais leais e produtivos.

Portanto, as falhas apontadas pelo levantamento não são apenas questões de RH. Elas afetam o desempenho do negócio como um todo. Reconhecer o bom trabalho e usar os valores corporativos na avaliação de pessoas são estratégias que fazem diferença no longo prazo.

Da teoria à prática: o caso de Tatiana Pimenta

Uma das histórias que ilustram a importância da cultura na prática é a da CEO da Vittude, Tatiana Pimenta. Em entrevista ao CBN Professional, ela contou o caminho que percorreu para criar a empresa e fazer o negócio decolar. O áudio da conversa está disponível na plataforma da rádio.

Tatiana compartilhou os desafios de empreender e de manter o propósito da empresa durante o crescimento. A Vittude, que atua na área de saúde mental, precisou construir desde cedo uma cultura forte para atrair tanto profissionais quanto clientes.

A entrevista mostra que fundar uma empresa é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é criar um ambiente em que todos entendam e vivenciem os valores do negócio. Isso exige reconhecimento, comunicação constante e coerência entre o que se diz e o que se faz.

Como transformar padrões de gestão

A pesquisa não traz receitas prontas, mas os dados indicam direções possíveis. Em primeiro lugar, é essencial criar mecanismos de reconhecimento que sejam justos e frequentes. Um simples elogio público pode ter um efeito enorme na motivação de um time.

Em segundo lugar, os valores corporativos precisam ser critérios objetivos em avaliações e promoções. Se um valor é, por exemplo, "colaboração", então as avaliações devem incluir perguntas sobre como a pessoa colaborou com os colegas. Dessa forma, a cultura deixa de ser abstrata e vira um elemento concreto de gestão.

Por fim, a liderança deve dar o exemplo. Os funcionários observam o comportamento dos chefes muito mais do que os discursos. Quando um líder aguarda os valores da empresa, ele naturalmente os reforça para toda a equipe.

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Um alerta para as empresas brasileiras

O estudo com 173 lideranças de RH e 65 companhias no Brasil é um sinal de alerta. As empresas que desejam se destacar precisam tratar a cultura organizacional com seriedade, integrando-a a todos os processos de gestão de pessoas.

A pesquisa mostra que ainda há um longo caminho a percorrer. Mas também revela oportunidades de melhoria acessíveis, como reconhecer mais os funcionários e usar melhor os valores nas decisões. Com essas mudanças, é possível construir ambientes mais saudáveis, produtivos e alinhados aos objetivos do negócio.