Os Estados Unidos anunciaram sanções contra cinco empresas vinculadas ao conglomerado militar cubano Gaesa (Grupo de Administração Empresarial) e contra Annalie Lilliam Rueda Cardero, nora do ex-presidente Raúl Castro. As medidas, divulgadas pelo Departamento do Tesouro americano, visam cortar o fluxo de recursos que sustentam o regime cubano, em meio a uma crise econômica severa na ilha.
Empresas sancionadas e acusações
As sanções atingem diretamente a Almacenes Universales S.A., uma das principais empresas de armazenagem e logística de Cuba, além de outras quatro companhias ligadas à Gaesa. Segundo Washington, essas empresas atuam como canais para movimentar fundos do governo cubano, desviando recursos que poderiam beneficiar a população. O Tesouro americano também incluiu na lista negra instituições financeiras que facilitam transações internacionais para o regime.
Annalie Lilliam Rueda Cardero, nora de Raúl Castro, é acusada de envolvimento direto na gestão de negócios que ajudam a sustentar o aparato militar e econômico do país. As sanções congelam quaisquer ativos que ela ou as empresas possuam sob jurisdição dos EUA e proíbem cidadãos americanos de realizar negócios com elas.
Reação de Cuba
O governo cubano reagiu imediatamente, classificando as sanções como uma escalada do cerco econômico imposto pelos EUA. "Os Estados Unidos continuam a apertar o bloqueio contra Cuba, mesmo em meio a uma crise humanitária", afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba em nota oficial. "Essas medidas unilaterais violam o direito internacional e prejudicam o povo cubano."
Havana também denunciou que as sanções ocorrem em um momento em que a ilha enfrenta uma grave escassez de combustível, agravada pelo bloqueio petrolífero americano, e uma inflação descontrolada que já ultrapassa 30% ao ano. A crise econômica tem gerado protestos esporádicos e um aumento no fluxo migratório.
Contexto das sanções
As sanções fazem parte de uma estratégia mais ampla do governo Biden para aumentar a pressão sobre o regime cubano, sem aliviar o embargo econômico que dura mais de seis décadas. Desde 2021, os EUA impuseram restrições a dezenas de entidades cubanas, incluindo empresas de turismo, mineração e energia.
A Gaesa, fundada em 2010, é o principal conglomerado empresarial estatal de Cuba e está intimamente ligada às Forças Armadas Revolucionárias. Estima-se que controle mais de 60 empresas em setores como construção, transporte, agricultura e tecnologia. Washington alega que a Gaesa desvia recursos públicos para sustentar a elite militar e política do país, enquanto a população sofre com a falta de alimentos, remédios e eletricidade.
Especialistas apontam que as sanções podem ter impacto limitado, já que a maioria das transações da Gaesa ocorre fora do sistema financeiro americano, utilizando intermediários na China, Rússia e Venezuela. No entanto, a medida aumenta o isolamento internacional do regime cubano e dificulta o acesso a crédito e investimentos estrangeiros.
Até o momento, Annalie Lilliam Rueda Cardero e as empresas sancionadas não se manifestaram publicamente sobre as acusações. O governo cubano prometeu buscar medidas legais para contestar as sanções na comunidade internacional.



