EUA revogam visto de embaixadora brasileira em crise diplomática
EUA revogam visto de embaixadora do Brasil em crise

Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma ação de reciprocidade após o governo brasileiro não ter concedido o agrément ao indicado americano para a embaixada em Brasília, Daniel Perez. A medida foi anunciada nesta terça-feira (4) pelo Departamento de Estado, que a classificou como um ato de tratamento recíproco. A decisão ocorre dez dias após o Itamaraty negar vistos a dois enviados americanos.

Histórico de tensões

As relações entre Brasil e Estados Unidos já vinham deteriorando desde julho de 2025, quando Trump impôs tarifas sobre produtos brasileiros, citando uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro. Apesar de negociações terem reduzido tensões no fim de 2025, novos atritos surgiram em 2026, envolvendo segurança, comércio e eleições.

Em maio, Lula e Trump se encontraram na Casa Branca, em uma reunião de três horas classificada como positiva. Trump elogiou Lula, chamando-o de 'muito dinâmico', e discutiram temas como comércio, terras raras e reforma da ONU. No entanto, assuntos como a classificação de facções como terroristas e o PIX ficaram de fora.

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Papel de Flávio Bolsonaro

Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro visitou Washington e pediu a Trump que classificasse PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a mudança, com apoio do secretário Marco Rubio. O governo Lula tentou evitar a medida, argumentando que as facções são organizações criminosas, não terroristas.

Indicação de Daniel Perez

Em 1º de junho, Trump indicou Daniel Perez, presidente da Câmara da Flórida, para embaixador no Brasil. O posto estava vago desde janeiro de 2025. Washington pediu o agrément em 30 de junho, mas o governo brasileiro ficou incomodado com o anúncio público antes da consulta formal.

Escalada comercial e diplomática

Em 15 de julho, os EUA confirmaram tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, citando práticas como PIX e regras para plataformas digitais. A tarifa entrou em vigor em 22 de julho para cerca de 3 mil produtos, excluindo itens estratégicos como café e petróleo. O Brasil classificou a medida como negativa e iniciou estudos de reciprocidade.

Em 25 de julho, o Brasil negou vistos a dois diplomatas americanos, Riley Barnes e Samuel Samson, que planejavam questionar a integridade eleitoral brasileira. O governo brasileiro viu interferência externa, e ministros do STF chamaram a iniciativa de 'escandalosa'. Os EUA negaram a intenção.

Revogação do visto

Em 4 de agosto, Washington revogou o visto de Viotti, vinculando a decisão ao impasse com Perez e à reciprocidade. O governo Trump afirmou que o visto pode ser restabelecido se o Brasil autorizar a nomeação. A medida é o ponto mais recente de uma escalada que passou de disputas comerciais para embates diplomáticos e questionamentos sobre segurança e eleições.

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