Os Estados Unidos deram início a uma revisão abrangente de sua presença militar na Europa, conforme anunciado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth. A medida faz parte de uma estratégia para redistribuir recursos e priorizar o confronto com a China, ao mesmo tempo em que pressiona os aliados europeus a assumirem maior responsabilidade por sua própria segurança.
Pressão sobre aliados europeus
Durante coletiva de imprensa no Pentágono, Hegseth deixou claro que os gastos americanos com a Aliança Atlântica podem ser reduzidos caso os países-membros não atinjam as metas de investimento em defesa estabelecidas pela Otan. Atualmente, a meta é que cada país destine ao menos 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa, algo que muitos aliados ainda não cumprem.
“Estamos revisando nosso posicionamento para garantir que a Otan se fortaleça, mas também para que a Europa assuma um papel mais ativo”, afirmou Hegseth. A declaração ecoa queixas de longa data de Washington sobre a dependência europeia do poderio militar americano.
Foco estratégico na China
A revisão ocorre em um momento em que os EUA buscam redirecionar capacidades militares para o Indo-Pacífico, região considerada prioritária diante do avanço chinês. A presença americana na Europa, que conta com cerca de 100 mil soldados, pode sofrer ajustes, mas autoridades garantem que a Otan continua sendo um pilar da segurança coletiva.
Especialistas apontam que a medida pode gerar tensões diplomáticas, especialmente com países do Leste Europeu que se sentem ameaçados pela Rússia. No entanto, Hegseth afirmou que a revisão não significa um abandono da Europa, mas sim uma recalibração de responsabilidades.
Reações e próximos passos
A Otan ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes indicam que os aliados estão preocupados com a possibilidade de redução do apoio americano. Enquanto isso, o Pentágono deve apresentar um relatório detalhado nos próximos meses, com recomendações sobre a nova configuração das forças no continente.



