Não há evidência hoje de um choque de produtividade vindo do avanço da inteligência artificial que possa gerar uma queda nos preços nos Estados Unidos e, com isso, motivar uma flexibilização na política monetária americana. A opinião é de Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve e ex-secretária do Tesouro dos EUA.
Yellen vê falta de evidências de ganhos de produtividade
“Não estamos vendo evidências de melhoria na produtividade agregada e não vemos evidência de pressão desinflacionária”, declarou Yellen durante o painel “Perspectivas Econômicas dos EUA e Globais: Desafios de Curto Prazo e Tendências de Longo Prazo”, mediado por Caio Megale, economista-chefe da XP.
A ex-secretária do Tesouro fez uma clara distinção entre o período atual e o dos anos 1990, quando o então presidente do Fed Alan Greenspan mencionava esses ganhos na fase inicial de expansão da internet.
Comparação com a era Greenspan
Yellen lembrou de uma reunião de setembro de 1996, quando todos os membros do Fomc achavam que era adequado elevar as taxas de juros, mas Greenspan resistiu. “A história provou que ele estava correto – havia crescimento da produtividade. Escrevi documento sobre isso. O desemprego caiu em níveis não vistos em décadas, com inflação baixa.”
Há uma distinção com o momento atual, segundo Yellen. “Há grande investimento em IA e esses investimentos estão elevando preços de semicondutores e da eletricidade, enquanto o mercado de trabalho se fortalece. Os gastos de consumo estão em expansão pela expectativa de lucros futuros. Não acho que o Fomc pode baixar agora as taxas por causa da IA, mas no médio prazo, nos próximos anos, talvez”, disse.



