Guerra no Irã prolongada pode causar crise de dívida na América Latina, diz Niall Ferguson
Guerra no Irã prolongada pode causar crise de dívida na AL

O historiador e economista Niall Ferguson alertou que, se a guerra no Irã se prolongar, a América Latina pode viver uma nova crise de dívida. Em entrevista ao Valor, Ferguson afirmou que o conflito pode elevar os juros globais e provocar fuga de capitais da região, agravando a situação fiscal de países já endividados.

Impacto do conflito no Irã sobre a economia global

Ferguson destacou que a guerra no Irã, caso se estenda por meses, teria efeitos profundos sobre a economia mundial. O aumento do preço do petróleo e a incerteza geopolítica elevariam os prêmios de risco, encarecendo o custo do crédito para economias emergentes. "A América Latina é particularmente vulnerável porque muitos países têm déficits fiscais elevados e dependem de financiamento externo", disse.

O historiador citou exemplos históricos, como a crise da dívida latino-americana dos anos 1980, para ilustrar o risco. Naquela época, a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos desencadeou uma onda de calotes na região. "Se os juros americanos subirem novamente devido à pressão inflacionária do petróleo, veremos um cenário similar", alertou.

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Vulnerabilidade da América Latina

Ferguson apontou que países como Argentina, Brasil e México estão entre os mais expostos. A Argentina, já em crise, teria dificuldade de honrar seus compromissos. O Brasil, apesar de reservas internacionais elevadas, sofreria com a desvalorização cambial e o aumento da dívida pública. "O Brasil tem espaço fiscal limitado para responder a um choque externo", afirmou.

O economista também mencionou que a América Latina como um todo tem visto uma deterioração de seus indicadores fiscais nos últimos anos, com aumento da dívida pública e déficits primários. "A pandemia agravou a situação, e agora um choque geopolítico pode ser o estopim para uma nova crise", completou.

Recomendações para a região

Para Ferguson, os governos latino-americanos devem adotar medidas preventivas, como reduzir gastos, aumentar a credibilidade fiscal e buscar linhas de crédito de emergência com organismos multilaterais. "O FMI e o Banco Mundial precisam estar preparados para agir rapidamente", disse.

Ele também recomendou que os países diversifiquem suas fontes de financiamento e evitem depender excessivamente de capital estrangeiro volátil. "A lição da história é clara: quando os juros globais sobem, os países com fundamentos fracos são os primeiros a sofrer", concluiu.

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