Ex-diplomata Philip Yang defende retaliação do Brasil a tarifas dos EUA
Yang defende retaliação do Brasil a tarifas dos EUA

O ex-diplomata Philip Yang, conselheiro Consultivo Internacional e fundador do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem), defende que o Brasil adote uma postura de retaliação às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo em coautoria com a economista Monica de Bolle, Yang argumenta que a melhor estratégia para o Brasil é impor tarifas de exportação sobre produtos destinados ao mercado norte-americano, utilizando como referência a própria lista de exceções tarifárias dos EUA.

Estratégia de retaliação baseada em exemplos internacionais

Segundo Yang, a ameaça crível de retaliação pode pressionar Washington a negociar de forma mais equilibrada. Ele cita os exemplos da China e do Canadá, que obtiveram avanços em negociações comerciais após adotarem medidas retaliatórias contra os EUA. "Negociação não é alternativa à firmeza; é consequência dela", afirma Yang, destacando que a firmeza na defesa dos interesses nacionais é o que abre espaço para o diálogo.

Como funcionaria a tarifa de exportação

A proposta de Yang prevê a aplicação de tarifas de exportação sobre produtos brasileiros vendidos aos EUA, algo incomum na política comercial brasileira. A ideia é mirar setores onde os americanos já demonstraram vulnerabilidade, como aqueles listados em suas próprias exceções tarifárias. A medida, segundo o ex-diplomata, teria impacto direto sobre empresas e consumidores norte-americanos, aumentando o custo de insumos e produtos finais importados do Brasil.

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Contexto das tarifas dos EUA

Os Estados Unidos, sob a administração Trump, impuseram tarifas sobre diversos produtos brasileiros, como aço, alumínio e etanol, gerando prejuízos estimados em bilhões de dólares para a economia brasileira. Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 42 bilhões, e as tarifas afetaram cerca de 15% desse total, de acordo com dados do Ministério da Economia. Yang argumenta que a passividade do Brasil até agora só encorajou novas medidas protecionistas.

Reações no governo brasileiro

Até o momento, o governo brasileiro tem optado por negociações bilaterais, evitando confrontos diretos. No entanto, a pressão de setores industriais e exportadores tem aumentado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as perdas acumuladas com as tarifas americanas já ultrapassam R$ 12 bilhões. Yang critica a abordagem atual: "A diplomacia não pode ser confundida com submissão. É preciso mostrar que temos instrumentos para defender nossos interesses".

Análise de especialistas

Economistas consultados divergem sobre a eficácia da retaliação. Enquanto alguns acreditam que a medida pode escalar a guerra comercial, outros veem na proposta de Yang uma forma de contrabalançar o poder americano. Monica de Bolle, coautora do artigo, ressalta que a retaliação deve ser calculada e focada em setores onde o Brasil tem vantagem competitiva. "Não se trata de iniciar uma guerra comercial, mas de mostrar que estamos dispostos a defender nossos interesses com ferramentas legítimas", afirmou a economista.

Impactos potenciais para o agronegócio

O agronegócio, um dos pilares da economia brasileira, poderia ser afetado tanto positivamente quanto negativamente. Produtos como suco de laranja, café e carne bovina estão entre os mais exportados para os EUA e poderiam sofrer retaliações americanas. No entanto, Yang argumenta que a diversificação de mercados, como a China e a União Europeia, reduz a dependência dos EUA. "Não podemos refém de um único parceiro comercial. A retaliação é parte de uma estratégia de diversificação", explica.

Próximos passos

A proposta de Yang e de Bolle já circula nos círculos diplomáticos e econômicos de Brasília. O Ministério das Relações Exteriores não se pronunciou oficialmente, mas fontes internas indicam que a ideia é estudada com cautela. Enquanto isso, a pressão sobre o governo cresce, com sindicatos e associações empresariais cobrando ações mais duras. O debate sobre a retaliação deve ganhar força nas próximas semanas, especialmente com a aproximação da revisão anual das tarifas pelos EUA.

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