O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio naval ao Irã, impondo uma taxa de 20% sobre cargas que transitarem pelo Estreito de Ormuz. A medida reacende tensões geopolíticas e tem impacto imediato nos mercados financeiros globais, com o Ibovespa intensificando perdas, o Bitcoin em queda e o dólar ganhando força.
Trump anuncia bloqueio e taxa sobre cargas em Ormuz
Em pronunciamento oficial, Trump determinou que a Marinha dos EUA restabelecerá o bloqueio naval ao Irã, interrompido durante a administração anterior. A partir de agora, toda carga que passar pelo Estreito de Ormuz estará sujeita a uma taxa de 20%, segundo comunicado da Casa Branca. A medida visa pressionar o regime iraniano por seu programa nuclear e apoio a grupos aliados na região.
O Irã rejeitou imediatamente a decisão. O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou o bloqueio como "violação do direito internacional" e ameaçou retaliação militar. "Não aceitaremos controle estrangeiro sobre nossas águas territoriais", declarou o porta-voz Nasser Kanaani, segundo agências de notícias.
Mercados reagem: Ibovespa, Bitcoin e petróleo
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, ampliou as perdas nesta segunda-feira, 13, refletindo o aumento da aversão ao risco global. O índice recuou mais de 2% no início dos negócios, pressionado por ações de petroleiras e empresas ligadas ao comércio exterior. O dólar comercial subiu para R$ 5,00, segundo dados da XP Investimentos, que mantém otimismo com o PIB brasileiro, mas alerta para volatilidade.
O Bitcoin caiu mais de 3%, acompanhando a alta do petróleo e o temor renovado de inflação. O barril do Brent ultrapassou US$ 85, impulsionado pela perspectiva de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global. O Goldman Sachs prevê que a expansão de oleodutos na região pode reduzir a dependência do estreito no longo prazo, mas, no curto prazo, o risco de choque de oferta é elevado.
Nasdaq e S&P 500 perdem força
Nos Estados Unidos, os índices Nasdaq e S&P 500 também perderam força, com investidores fugindo de ativos de risco. A guerra comercial e os balanços corporativos pressionam o mercado. A ação da SK Hynix despencou após sua estreia na Nasdaq, em meio a realizações de lucros. O processo de 12 estados americanos contra a fusão de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner adiciona incerteza ao setor de mídia.
O Reino Unido anunciou que designará a Guarda Revolucionária do Irã como ameaça à segurança nacional, intensificando o isolamento diplomático do país. Enquanto isso, a guerra na Ucrânia elevou a demanda por dinheiro, levando o banco central local a lançar uma cédula de 2.000 hryvnia.
Brasil: impacto nos investimentos e política
No Brasil, a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta em Bolsa barata, segundo o Bradesco BBI. Empresas como Suzano (SUZB3) seguem na preferência do JPMorgan, que reiterou recomendação de compra apesar dos riscos climáticos do El Niño. A Caixa Seguridade mantém forte impulso comprador, enquanto a Vale continua pressionada.
Na política, o presidente da Câmara, Arthur Motta (PR), recebeu sem transparência 43% das emendas de liderança do partido, revela investigação. O senador Flávio Bolsonaro enfrenta problemas, mas não deve deixar a disputa, segundo Gilberto Kassab. Michelle Bolsonaro reorganiza sua atuação para preservar influência política. O STF bloqueou R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha.
Perspectivas: dólar forte e inflação no radar
O dólar forte retorna como tema central, com o mercado monitorando a reação do Federal Reserve. A Cepal apontou que o maior impacto da guerra para a América Latina e Caribe foi na inflação. No Brasil, a defasagem do Simples Nacional virou aumento disfarçado de imposto, enquanto o Tesouro avalia intervir nos títulos IPCA+8%.
Para o investidor, a XP recomenda ajustar o portfólio para o segundo semestre, com atenção à renda fixa e à bolsa. O Goldman Sachs vê fim gradual da dependência de Ormuz com expansão de oleodutos. A Meta anunciou que seu data center nos EUA superará US$ 250 bilhões em custos, sinalizando investimento maciço em infraestrutura de IA.



