TLP do BNDES supera 8% e trava investimentos industriais
TLP do BNDES supera 8% e trava investimentos

A turbulência fiscal elevou a Taxa de Longo Prazo (TLP), principal referência para os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que superou pela primeira vez em sua história a marca de 8% ao ano mais a inflação. Esse aumento encarece o crédito para empresas que buscam financiamento para investir, gerando preocupação no setor industrial.

O que é a TLP e por que ela subiu?

A TLP foi criada em 2017 para substituir a TJLP, com o objetivo de alinhar os juros dos empréstimos do BNDES ao custo de captação do Tesouro Nacional. Ela é calculada com base na variação do IPCA e na taxa dos títulos públicos prefixados de longo prazo. Com o aumento da aversão ao risco fiscal, os títulos públicos ficaram mais caros, elevando a TLP.

Dados recentes mostram que a TLP atingiu 8,00% ao ano mais IPCA, um patamar inédito desde a sua criação. Para se ter uma ideia, em 2021 a taxa girava em torno de 4% ao ano. O movimento reflete a desconfiança dos investidores quanto à trajetória da dívida pública e à política fiscal do governo.

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Impacto no investimento industrial

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o patamar atual da TLP como "mortal" para o investimento industrial. Segundo a entidade, o custo elevado do crédito desestimula novos projetos e amplia o custo de capital das empresas, reduzindo a competitividade da indústria brasileira.

"Com a TLP nesse nível, fica praticamente inviável financiar projetos de longo prazo, essenciais para a modernização e expansão do parque industrial", afirmou um porta-voz da CNI. A entidade defende a revisão da fórmula de cálculo da taxa, para que ela não seja tão sensível às oscilações de curto prazo do mercado.

Consequências para a economia

O encarecimento do crédito do BNDES pode ter efeitos negativos sobre o crescimento econômico. Menos investimento significa menor produtividade, menos empregos e menor capacidade de inovação. Setores como infraestrutura, energia e agronegócio, que dependem de financiamentos de longo prazo, são os mais afetados.

Além disso, a alta da TLP pode pressionar a inflação, pois os custos financeiros são repassados aos preços dos produtos. O Banco Central, que já luta para controlar a inflação, pode ter que manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo, o que também desacelera a economia.

O que esperar daqui para frente?

Especialistas apontam que a TLP só deve cair quando houver uma melhora significativa nas contas públicas e na confiança dos investidores. Isso depende de avanços na agenda de reformas, como a administrativa e a tributária, e de um controle mais rígido dos gastos públicos.

Enquanto isso, as empresas que precisam de crédito devem buscar alternativas, como bancos privados, debêntures ou até mesmo recursos próprios. No entanto, para projetos de longo prazo, o BNDES ainda é a principal fonte, e o custo elevado pode adiar decisões de investimento.

A CNI já sinalizou que vai levar o tema ao governo, na tentativa de encontrar uma solução que não comprometa a estabilidade fiscal, mas que também não inviabilize o financiamento do desenvolvimento.

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