O aumento das tarifas sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, imposto pelo governo Trump, já provoca impactos reais no dia a dia de empresas no Brasil. Empresários relatam a necessidade de redirecionar produtos, enquanto perdem clientes americanos e são forçados a demitir funcionários.
Impacto imediato nas exportações
A Sobretaxa, que chega a até 25% para alguns setores, afeta diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Empresas como a Solida Brasil, que exportava 70% de sua produção para os EUA, viram o faturamento cair drasticamente. “Perdemos três grandes clientes em menos de dois meses”, afirma o CEO da empresa, Carlos Mendes, em entrevista. A companhia já demitiu 15% de seu quadro de funcionários.
Redirecionamento de produtos e novos mercados
Para tentar minimizar as perdas, empresários buscam alternativas em outros países. A Temasa, fabricante de componentes industriais, redirecionou parte de sua produção para a Europa e Ásia. No entanto, a adaptação é lenta e custosa. “Não é simples mudar de mercado da noite para o dia. Cada região tem exigências técnicas e certificações diferentes”, explica a diretora comercial, Ana Oliveira. A empresa congelou novos investimentos e reduziu turnos de produção.
Cortes de pessoal e investimentos congelados
Dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam que as exportações para os EUA caíram 12% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Isso resultou na demissão de mais de 5 mil trabalhadores em setores como metalurgia, calçados e máquinas. “A incerteza é o pior inimigo do investimento. Enquanto não houver clareza sobre as tarifas, as empresas vão segurar gastos”, afirma o economista-chefe da AEB, Paulo Silva.
Exceções: empresas que investem apesar das tarifas
Nem todas as empresas recuam. A Flexaseal, do setor de vedações industriais, optou por ampliar sua fábrica no Brasil, apostando em ganhos de produtividade e diversificação de clientes. “Acreditamos que a demanda global por nossos produtos vai crescer. Estamos nos preparando para o futuro”, diz o presidente da empresa, Roberto Lima. A Flexaseal manteve o quadro de funcionários e contratou mais 30 pessoas para a nova linha de produção.
Perspectivas e temores para o futuro
Empresários temem que as tarifas se tornem permanentes, inviabilizando a retomada do mercado americano. “Se não houver negociação, muitas empresas vão fechar as portas”, alerta Carlos Mendes. Enquanto isso, o governo brasileiro busca acordos bilaterais, mas sem resultados concretos até o momento. A situação gera um clima de apreensão no setor exportador, que aguarda definições para planejar os próximos passos.



