Tarifaço dos EUA atinge pequenos exportadores brasileiros
Tarifaço dos EUA atinge pequenos exportadores do Brasil

As micro e pequenas empresas brasileiras, responsáveis pela maior parte dos empregos formais no país, já começam a sentir os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Cerca de 40% das companhias brasileiras que exportam para o mercado americano são de pequeno porte e, por terem menor capacidade de absorver custos extras, tornam-se especialmente vulneráveis a barreiras comerciais. O impacto já é visível: um dos produtos mais vendidos de uma marca de moda praia, o biquíni cortininha, saltou de US$ 36 para US$ 60 no mercado americano, segundo a empresária Amanda.

Impacto imediato nas pequenas empresas

A empresária Amanda, que prefere não revelar o sobrenome, afirma que o aumento é significativo e afeta diretamente sua operação. "O primeiro e mais vendido é o nosso cortininha e ele foi de 36 dólares para 60 dólares", relata. Parte das vendas foi fechada antes do anúncio mais recente de elevação das tarifas, o que a obriga a cobrir a diferença. "Eu envio esse produto com o preço fechado, então eu cubro esse valor. Mas, no final, vai um pouco de custo para todo mundo porque eu repasso para o importador, que muito possivelmente vai repassar para o comprador final", explica.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, embora as micro e pequenas empresas representem 40% dos exportadores brasileiros para os Estados Unidos, elas respondem por apenas 1,6% do valor total exportado. Apesar da participação modesta no volume financeiro, o segmento tem peso relevante na economia brasileira por concentrar a maior parte dos empregos formais.

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Peso na geração de empregos

Segundo o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo de Sousa Soares, as micro e pequenas empresas representam 95% dos CNPJs do país. "Esse ano já foram abertos quase 3 milhões de pequenos negócios no Brasil, que geraram cerca de 450 mil empregos no país, mais de 60% dos empregos gerados no Brasil. Por isso, qualquer impacto nas exportações pode também afetar o nível de emprego", afirma Soares. Os Estados Unidos são atualmente o principal destino das exportações realizadas por micro e pequenas empresas brasileiras, à frente de China e Argentina. Entre os produtos mais vendidos estão máquinas, materiais elétricos, móveis, calçados e roupas.

Dificuldade de adaptação a novos mercados

Em muitos casos, as mercadorias são desenvolvidas especificamente para atender ao padrão e ao gosto do consumidor americano, o que dificulta a busca por novos compradores. O economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV), alerta que setores como o de confecções podem encontrar obstáculos para redirecionar suas vendas. "Quando a gente fala de moda, fala de um produto muito específico, que pode agradar um mercado, mas não necessariamente outros mercados. Há uma dificuldade de adaptação e, por isso, empresas de confecção vão encontrar desafios para se reposicionar", diz Rochlin.

Segundo ele, a adaptação para novos mercados pode exigir mudanças significativas no produto. "O que o brasileiro tem para oferecer para o americano não é exatamente o que o europeu vai se interessar. Ele vai ter que adaptar o produto ao novo mercado, e o custo dessa adaptação não é baixo", completa o economista.

Alternativas em outros destinos

Apesar das dificuldades, algumas empresas já buscam alternativas. Uma marca de moda praia, representada pela empresária Marina, afirma que pretende manter as negociações com os Estados Unidos, mas também avalia oportunidades em outros destinos. "O mercado europeu também é bastante interessante, porque gosta de um produto com design diferenciado, com detalhe, com acabamento. E o Caribe também é um supermercado para praia", afirma Marina.

A busca por novos mercados é vista como uma estratégia de sobrevivência diante do cenário de incertezas. Enquanto as tarifas americanas não forem renegociadas, as pequenas exportadoras brasileiras terão que se reinventar para não perder competitividade e continuar gerando empregos no país.

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