O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira que um novo tarifaço de até 125% sobre produtos importados pode ser decidido nos próximos dias. A medida, segundo ele, tem como objetivo proteger a indústria nacional da concorrência desleal e estimular a produção local.
Detalhes do tarifaço
Em entrevista coletiva, Guedes explicou que o aumento das tarifas incidirá sobre uma lista de produtos que ainda está sendo finalizada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). “Estamos estudando setores que foram mais afetados pela pandemia e pela abertura comercial excessiva. A alíquota pode chegar a 125% em casos extremos”, disse o ministro.
A proposta já gerou reações no mercado financeiro e entre parceiros comerciais. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) criticou a medida, alertando para possíveis retaliações de países como China e Estados Unidos.
Impacto na economia
Segundo cálculos do Ministério da Economia, o tarifaço pode aumentar a arrecadação federal em até R$ 15 bilhões por ano. No entanto, especialistas apontam que o custo para o consumidor final pode ser elevado, com aumento de preços de eletrônicos, máquinas e insumos industriais.
“O governo precisa equilibrar a proteção à indústria com a inflação e o poder de compra da população. Um tarifaço de 125% é agressivo e pode gerar efeitos colaterais”, avaliou o economista José Roberto Mendonça, da FGV.
Próximos passos
A decisão final caberá ao presidente Jair Bolsonaro, que deve receber o relatório da Camex nos próximos dias. Guedes afirmou que a medida está alinhada com a política de “Brasil acima de tudo” e que o governo não cederá a pressões externas.
“Não vamos aceitar que produtos subsidiados por outros países destruam empregos aqui. Se for necessário, vamos subir as tarifas para 125% para defender o trabalhador brasileiro”, concluiu o ministro.



