O presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid, defendeu uma política monetária mais apertada para conter a inflação, que classificou como “elevada demais”. A declaração ocorre após o banco central americano manter a taxa de juros inalterada na semana passada, entre 3,50% e 3,75%, mas com três dirigentes votando a favor de um aperto nas condições monetárias.
Decisão do Fed e divergências internas
Na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a maioria dos membros optou pela manutenção dos juros, mas a minoria dissidente sinalizou preocupação com a persistência da inflação. Schmid, que não é membro votante neste ano, mas participa das discussões, enfatizou a necessidade de uma postura mais restritiva para garantir a convergência da inflação à meta de 2%.
“A inflação continua elevada demais, e precisamos permanecer vigilantes”, afirmou Schmid, em evento realizado na quinta-feira. Ele ressaltou que, apesar dos progressos recentes, os riscos de uma reaceleração dos preços ainda são significativos, especialmente diante de um mercado de trabalho aquecido e de pressões salariais.
Contexto econômico e expectativas
A decisão do Fed de manter os juros ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, que caiu de picos de 9% para cerca de 4% ao ano, mas ainda acima da meta. Schmid destacou que a política monetária precisa permanecer contracionista até que haja evidências claras de que a inflação está em trajetória sustentável de queda.
O dirigente também mencionou a resiliência da atividade econômica, com o PIB crescendo a um ritmo moderado e o desemprego em níveis historicamente baixos. Esses fatores, segundo ele, dão margem para que o Fed mantenha os juros elevados por mais tempo, sem comprometer a saúde do mercado de trabalho.
Impactos para os mercados e para o Brasil
A sinalização de um aperto monetário mais duradouro nos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar e pressionar as economias emergentes, incluindo o Brasil. Com juros americanos mais altos, os fluxos de capital para países em desenvolvimento podem diminuir, impactando moedas e bolsas de valores.
Analistas avaliam que a postura de Schmid reforça a expectativa de que o Fed mantenha a taxa elevada até meados de 2024, o que pode adiar cortes de juros no Brasil, já que o Banco Central brasileiro acompanha de perto as decisões da autoridade monetária americana para calibrar sua própria política.
Próximos passos do Fed
O mercado agora aguarda os discursos de outros membros do Fed, especialmente do presidente Jerome Powell, para obter mais pistas sobre os próximos passos. A ata da última reunião, divulgada na quarta-feira, mostrou que os dirigentes estão divididos entre a necessidade de mais aperto e os riscos de um aperto excessivo que possa levar a uma recessão.
Schmid, por sua vez, deixou claro que prefere errar pelo lado do aperto. “É melhor fazer demais do que de menos”, disse, defendendo que a credibilidade do Fed na luta contra a inflação é fundamental para ancorar as expectativas de longo prazo.



